Negócios

O empresário que movimenta o shopping

Depois de um ano catastrófico para o setor, Carlos Jereissati desenha a reestruturação da companhia para ganhar força para aquisições.

Crédito: Claudio Gatti

REESTRUTURAÇÃO E SUCESSÃO O CEO Carlos Jereissati promove mudanças da estrutura do grupo e prepara sua passagem de bastão. (Crédito: Claudio Gatti )

Os últimos dias foram intensos para o empresário Carlos Jereissati, CEO do Grupo Iguatemi, maior empresa de shoppings do País com 21 empreendimentos e receita de R$ 684,2 milhões no ano passado. A agenda cheia de reuniões a portas fechadas, com executivos e acionistas, definiu um plano de reestruturação que deve unir a operadora de shoppings Iguatemi e sua holding, a Jereissati Participações. Se o plano der certo, a fusão criará uma nova empresa, a Iguatemi S.A., com mais musculatura para fazer investimentos e aquisições. “As mudanças acontecem no momento certo e criam perspectivas muito positivas para a aceleração dos negócios do grupo nos próximos anos”, afirmou uma fonte que tem participado da definição do plano. “Existem ativos relativamente baratos no mercado, em razão da crise, e um excesso de dinheiro disponível para impulsionar a consolidação”, disse.

Em bom português, a ideia de Jereissati é sair às compras e aproveitar para comprar shoppings que ficaram em apuros com as restrições de funcionamento do comércio durante o isolamento social. Procurado pela reportagem, Jereissati não concedeu entrevista. A estratégia, no entanto, está clara no comunicado da companhia ao mercado na segunda-feira (7). “O objetivo é viabilizar que a Iguatemi cresça de forma mais acelerada, permitindo ser mais agressiva na estratégia de M&As [fusões e aquisições]”, informou.

PORTAS REABERTAS Com 21 unidades, Iguatemi teve faturamento de R$ 684,2 milhões no ano passado. (Crédito:Divulgação)

O primeiro alvo dessa tática mais agressiva, segundo fontes do setor, seria o shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, em que a Iguatemi é sócia com menos de 12% do capital. Outro candidato a receber investimentos é o segmento de outlets, que ganharam mais apelo no varejo pós-pandemia por se tratar de áreas abertas. Atualmente, a Iguatemi opera apenas dois outlets, somente no Sul.

A arrumação em curso da companhia deve ocorrer em paralelo a um processo de passagem de bastão. Sob a rótulo de “evolução de governança corporativa”, o grupo comunicou que foi aprovado pelo Conselho de Administração da Iguatemi que a atual CFO, Cristina Betts, vai assumir a posição de CEO a partir de janeiro de 2022. Até lá, segundo a companhia, a transição de cargo será feita de maneira gradual e conduzida por Jereissati.