Tecnologia

O DJ DA BMC

Antes de se tornar o principal executivo brasileiro na BMC, companhia de software corporativo com faturamento de US$ 1,3 bilhão, o carioca Márcio Mattos tinha uma rotina muito distinta da atual. Quem conversa com o discreto presidente, com voz baixa e fala pausada, dificilmente seria capaz de imaginá-lo trocando o dia pela noite para comandar a animação nas casas noturnas cariocas Le Bateau e Girau, no início dos anos 70. Aos 18 anos, ele introduziu o ritmo dos Dancing Days, Beatles, Renato e seus Blue Caps e Erasmo Carlos nas pistas. Sempre em alto volume. ?Já estourei um monte de caixas de som?, brinca ele, que ainda guarda os hit parades que foram moda de 1963 a 1978. Um armário recheado com 600 horas de música.

Das pistas para cá, Mattos foi acumulando responsabilidades. Formado em Engenharia Eletrônica, conquistou seu primeiro emprego no Serpro, do governo federal. Em seguida, exerceu o cargo de vice-presidente para a América Latina da Lotus e, mais tarde, foi para a Ernst & Young. Aos 49 anos, seu principal produto é voltado para a prevenção de acidentes. Integrados à infra-estrutura dos clientes, os programas da BMC evitam os mais diversos danos que podem ocorrer ao parque de máquinas de uma empresa. Os prejuízos, nesse caso, são muito maiores do que os causados pelo estouro de uma alto-falante. Se na discoteca era possível tocar uma música lenta em volume baixo para disfarçar o defeito, um minuto fora da internet pode significar um prejuízo de milhões de dólares para uma empresa. De acordo com o executivo, as soluções da BMC se enquadram no que ele chama de ?tecnologia de crise?. A partir do momento em que as empresas começaram a reduzir o quadro de pessoal, tornou-se fundamental aumentar o controle sobre a infra-estrutura para evitar surpresas de última hora. Com isso, a filial espera um crescimento de 44% nas receitas no ano fiscal que termina em março. Em 2002, a unidade arrecadou US$ 78 milhões.



Na festa da empresa para comemorar os resultados, os funcionários escolheram uma discoteca. Mattos deu uma canja na mesa de
som. ?Foi fácil porque eu já tinha mexido com as pequenas bolachas?, diz ele, referindo-se aos CDs. Desde que sua história foi publicada num jornal interno, ele não tem tido mais sossego. É comum amigos de outros departamentos pedirem para gravar CDs. ?Não aceito e não permito?, frisa ele. Mais do que um amante das músicas, Mattos é um integrante da indústria de software que vive dos direitos autorais.



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