O dinheiro vai ficar mais barato

O dinheiro vai ficar mais barato

O CEO do Banco Inter, João Vitor Menin, está eufórico com a decisão do Banco Central de mudar as regras do compulsório, aumentando de R$ 200 milhões para R$ 500 milhões a faixa de isenção para o recolhimento. Na prática, seu banco, com quase R$ 1,5 bilhão em depósitos e 1,3 milhão de correntistas, terá cerca de R$ 150 milhões a mais para emprestar. Ele conta com exclusividade à DINHEIRO quais são as suas expectativas.

O que vai mudar para os bancos menores com a alteração do compulsório?
A mudança do compulsório prestigia e incentiva as instituições menores, aquelas que não são os cinco maiores bancos brasileiros: Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander. Ao incentivar os bancos de fora do ‘G5’, o mercado se torna mais competitivo. Com competição, há mais acesso a financiamentos e crédito mais barato. No fim das contas, quem ganha é o brasileiro.

A concorrência tende a ficar mais acirrada com os grandes bancos, então?
Com certeza. Cria-se uma condição igualitária de competição, e faz com que o cliente que está no banco de varejo seja tão rentável para o Banco Inter quanto ele é para o Banco Itaú, Bradesco e Santander. Essa é mais uma etapa, mais um feito, que dá fôlego para os bancos menores competirem com os bancos maiores. Agora é factível.

Como foi o ano para o Banco Inter?
O Inter tem 24 anos de mercado, e 2018 foi o nosso melhor ano. Primeiro, nós tivemos a abertura de capital, que é um marco na história de qualquer companhia. Segundo, ultrapassamos a marca de 1 milhão de correntistas, em setembro, e isso era uma meta para o final do ano. Terceiro, fomos o primeiro banco brasileiro a fazer a migração de todos os servidores, dentro do nosso data center, para nuvem, que é um negócio mais evoluído, uma tendência global. Foi um ano muito rico para nós.

O que o BC pode fazer para aumentar ainda mais a competição?
Ainda existem muitas barreiras regulatórias que fazem com que os bancos mais antigos e de maior tamanho consigam se blindar. Com isso, o consumidor está perdendo. As taxas altíssimas para pequenos comerciantes anteciparem as vendas por cartão de crédito precisam ser revistas. Sem isso, o pequeno comerciante não tem competitividade.

A digitalização dos grandes bancos ameaça?
A digitalização é uma tendência que ninguém pode ignorar. A digitalização já mudou a hotelaria, o transporte, o varejo, a aviação, entre muitos outros. No setor bancário, demorou a começar, mas já começou.

(Nota publicada na Edição 1098 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Felipe Mendes)


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