O dinheiro foi embora

O dinheiro foi embora

Está aceso o sinal de alerta contra investimentos no Brasil. Lamentavelmente, a credibilidade do País vem caindo ladeira abaixo e a fuga de capitais está se dando de maneira acelerada, no bojo da descrença de que esse governo seja capaz de reverter o processo de falência das contas públicas e de levar adiante as reformas estruturais necessárias. O dinheiro externo não aceita desaforos e o mandatário Bolsonaro tem sido mestre em provocar os ânimos negativos do mercado. O Banco Central divulgou que o investimento direto no País acaba de registrar a sua pior marca em 25 anos para um mês de abril. Foi uma sangria incontrolável. As inversões somaram US$ 234 milhões no período, só superior aos US$ 167,9 milhões verificados em 1995. O País que encerrou 2019 como um dos quatro maiores receptores de recursos estrangeiros (cerca de US$ 78,6 bilhões) deverá neste ano, pelas contas do BC, ir para a rabeira dos captadores, com queda de 24% nas inversões médias. Número que pode se ampliar significativamente, a depender das futuras estripulias do capitão Bolsonaro. A corrosão de confiança é tão grande que, segundo o relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), que reúne bancos de investimento, fundos e BCs em 70 países, o Brasil é praticamente o pior dentre eles na atração de capital no momento. A fuga por aqui só não foi maior do que a registrada na Índia.

Nesse contexto, o real vem ganhando o status de moeda tóxica, como resultado da aversão ao risco fiscal e político verificado por aqui. A divisa já acumula perda consolidada de 29% ante o dólar no ano e é a que mais sofre entre a dos países ditos emergentes. Esse descarte do Real não era visto havia quase 20 anos e foi por isso mesmo que bancos estrangeiros passaram a classificá-lo como “ativo tóxico”. O risco Brasil, no contexto dessa desvalorização, pode ser medido pelo CDS (Credit Default Swap), que subiu 220% em 2020. Na média dos países emergentes, a alta foi de 77%. A distância é abissal. Analistas apontam que a atitude negacionista do governo frente à pandemia e ao número cada vez maior de infectados e de mortos virou destaque e, para além disso, as seguidas crises políticas e a postura do mandatário têm provocado incertezas sobre seu futuro e mesmo sobre as chances de retomada econômica. O confronto entre o governo federal e os governadores entrou também no caldeirão de instabilidade e tudo misturado deixa a impressão de um país à deriva, comandado por um populista que dá respostas contraditórias e é em si o foco maior do problema a afugentar capital.

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Sobre o autor

Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três e escreve semanalmente os editoriais da revista DINHEIRO


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