O Diablo se bebe no copo

O Diablo se bebe no copo

Criados para atrair millenials e vendidos na faixa de R$ 90, os rótulos podem agradar também os iniciados

A ligação da Viña Concha y Toro com o sobrenatural é um clássico da mitologia vinícola. Diz a lenda que, há mais de cem anos, o patriarca e fundador Don Melchor escondeu uma preciosa coleção de vinhos em sua adega particular e protegeu por uma grade de ferro forjado. Mesmo trancafiadas, as garrafas desapareciam misteriosamente. Para não ser furtado, Don Melchor espalhou o boato de que havia estranhos eventos noturnos que só poderiam ser explicados de uma maneira: o diabo vivia na adega. Mais nenhuma garrafa desapareceu. Pelo contrário, a lenda foi incorporada a uma das linhas de maior sucesso da vinícola, Casillero del Diablo.

Agora, uma nova encarnação dessa figura infernal chega em dois rótulos que a vinícola define como “disruptivos”: Diablo Red, feito com um blend de uvas cuja composição é mantida em segredo; e Diablo Dark, em que predomina a variedade cabernet sauvignon. Ambos foram elaborados pelo enólogo Héctor Urzúa, que está na empresa desde 1995. As uvas provêm de vinhedos do Vale do Maule. Situado a 260 quilômetros ao sul da capital Santiago e a apenas 30 quilômetros do Oceano Pacífico, o Maule se caracteriza por apresentar boa amplitude térmica, com grande variação de temperatura entre o dia e a noite.

Segundo Urzúa, isso permite uma maturação mais lenta das uvas, resultando em boa concentração de açúcares e taninos adocicados. Em resumo: vinhos que se destacam pelo “drinkability”, algo que pode ser traduzido livremente como “bebilidade”. Sem grande complexidade, mas agradáveis pela profusão de frutas vermelhas e pelas notas de baunilha e chocolate aportadas pelo curto período de envelhecimento em barricas (6 meses, 6 semanas e 6 dias), harmonizam bem com uma escoltada por queijos e frios. Podem igualmente acompanhar massas e carnes, embora não seja esse o foco.

A busca por rótulos fáceis de beber e que agradem tanto ao paladar de entrantes no mundo do vinho quanto ao de conhecedores da bebida é estratégica para a companhia. Especialmente no caso do Brasil. “A cultura do vinho vem ganhando cada vez mais espaço na vida dos brasileiros. Diablo chega para firmar o nosso compromisso em proporcionar as melhores experiências, no momento em que as pessoas estão sedentas por descobrir e explorar esse universo”, afirmou o head de marketing da Concha y Toro, Pietro Cappuzi. Endereçada a quem busca muito mais uma aventura do que uma bebida para iniciados, a campanha de divulgação da linha evoca um “um pacto com o extraordinário”. Parece estar funcionando em outros mercados onde o Diablo chegou antes de desembarcar no Brasil. Por aqui, o preço está na faixa de R$ 90.



Além de uma bebida agradável, o que a vinícola propõe de mais interessante com seu Diablo é quebrar as regras tradicionais do vinho. Tanto que a sugestão é servir o Diablo em copos, não em taças. A empresa não esconde seu desejo de atrair a geração millenial, público que começa a descobrir e apreciar vinhos. Mais que agradar a esse consumidor jovem e “transversal” (para  usar a definição do enólogo Urzúa), o foco da Conhca y Toro é formar bebedores que possam evoluir em gosto e em. Quem sabe assim o atual bebedor que se aventura nos encantos do Diablo chegue a um Don Melchor – esse sim um vinho extraordinário, em todos os sentidos.

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Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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