O dia seguinte às eleições

O dia seguinte às eleições

Já virou tradição no manual da política o governo começar a trabalhar somente depois de passada as eleições e, ao que tudo indica, dessa vez não será diferente. A apatia de medidas, negociações e mobilizações que prevaleceu até aqui não pode ter outra razão que a do temor das consequências nas urnas. Candidatos e seus apoiadores fugiram de qualquer bola dividida. Temas como a da urgentíssima reforma tributária nem entraram em discussão. A aprovação do orçamento ficou parada, levando ao desespero os técnicos do setor público, temerários de um colapso geral. Agora é correr para recuperar o tempo perdido. O dramático é que começou dezembro e faltam poucos dias para o término do ano. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tentando se promover nos derradeiros momentos diante dos holofotes, jogou no ar o balão de ensaio de uma votação às pressas de medidas fiscais. Garantiu ter quórum suficiente para aprovar medidas nesse sentido. A pergunta que fica é: por que não avisou antes? A espera pelo resultado das eleições decerto comprometeu qualquer solução breve nesse sentido. O Congresso está às portas do recesso. Não há um segundo a perder, mas existem inúmeras pautas a passar, a começar pela da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2021. Pode soar inacreditável, mas o ano começou apenas agora no Planalto central. E acaba em alguns dias. O que está por vir não é nada fácil. Os fundamentos para uma recuperação em “V” da economia estão em frangalhos. A dívida pública explode em algumas semanas (logo no início de janeiro) e Bolsonaro terá inevitavelmente de se debruçar sobre uma agenda da qual não gosta e que vinha deixando em segundo plano. Há questões de ordem prática sobre os ajustes fiscais da estrutura, a PEC dos Fundos Públicos, a dos salários do funcionalismo. Outros de natureza social, como o destino do auxilio emergencial e a proposta de verba para o Bolsa Família em 2021. E, não menos importante, a atuação direta do capitão junto aos aliados políticos para fazer andar projetos que estão parados, dentre os quais o da Reforma Administrativa.

O disparo de gatilhos de gastos está acontecendo por todos os lados. A grande questão, que permanece como ponto de interrogação, é o da disposição do presidente no sentido de criar barreiras. A tempestade perfeita na economia vem se formando e, sem liderança, engajada em mover medidas amargas, a situação será feia. Analistas são unânimes em apontar que o Planalto recebeu um sinal amarelo das urnas e que a sobrevivência do bolsonarismo, daqui para frente, depende fundamentalmente do rearranjo da economia. Caso o desemprego continue subindo, como ocorreu nos últimos dias, batendo um recorde histórico, na casa de quase 15%, o prestígio do capitão entra em parafuso e todas as suas barbaridades, verbais e em decisões, nas demais áreas, tendem a ser realçadas. O que a maioria se pergunta é qual o plano de Bolsonaro e como ele estará combinado com as forças do Congresso. Uma hora se destaca a prioridade de votar a autonomia do Banco Central. No momento seguinte, o tema é arquivado. Em outro capítulo, a ideia é aprovar os marcos regulatórios de gás, cabotagem, de regras no mercado de câmbio. A seguir, isso também é protelado. As renegociações das dividas dos Estados, a PEC do pacto federativo, do Renda Cidadã. Está tudo em suspenso. O governo hesita no essencial e vai agravando a crise do País, já mergulhado no caos da pandemia. Outro assunto que segue na gangorra das indefinições federais é sobre a criação ou não de um imposto de movimentações financeiras, nos moldes da CPMF, vinculado à nova modalidade de transações do Pix. Desta feita, vem do Planalto a informação de enterro definitivo (até quem sabe à próxima revisão) da opção. Jair Bolsonaro teria desistido da tentativa de recriação da CPMF. O receio maior é quanto ao impacto político da tungada junto aos eleitores, comprometendo a sua campanha para 2022. O presidente mede cada passo visando apenas e tão somente à permanência no cargo. Não está em questão o que seria melhor para o País. Apenas para ele.

Carlos José Marques, diretor editorial

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Sobre o autor

Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três e escreve semanalmente os editoriais da revista DINHEIRO


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