Especial

O desafio da inclusão dos talentos negros nas empresas

Em sua segunda edição, o Índice de Equidade Racial Empresarial reconhece as empresas que se destacaram em políticas de inclusão em 2021, mas o percentual médio de 4,1% de talentos negros na alta direção indica que o problema ainda é crítico.

Crédito: Soberana Ziza

Ilustração criada pela artista Soberana Ziza para a IstoÉ Dinheiro. Sua pesquisa estética sobre negritude e feminino resulta em uma abordagem "afrofuturista" (Crédito: Soberana Ziza)

Em nós, até a cor é um defeito. A frase de Luiz Gama, um dos maiores abolicionistas da história, é de 1880. Se dita hoje seria tão atual quanto há um século, diante das barreiras que ainda existem para inclusão da população negra no mercado de trabalho. Em sua segunda edição, o Índice de Equidade Racial Empresarial (IERE 2021) mostra a dimensão do problema: entre as 65 empresas que participaram do levantamento, a média de presença de profissionais pretos e pardos no quadro de colaboradores é de apenas 29,6%. A situação fica mais crítica quando se sobe na hierarquia. A parcela do grupo em cargos de gerência e supervisão é de 15,8% e na alta direção. Incluindo Conselhos de Administração, apenas 4,1%. “Muitas empresas não perceberam que as questões sociais, climáticas e econômicas estão interconectadas”, disse Raphael Vicente, coordenador da Iniciativa de Equidade Racial e Empresarial.

Empresas que estão quebrando esse paradigma histórico começam a ver resultados. “Quem está agindo começa a ter reflexos positivos no valuation”, disse Vicente. Outra recompensa é o reconhecimento do mercado. Neste especial da DINHEIRO, as cinco Empresas Destaques do IERE 2021 têm os principais aspectos de suas estratégias de inclusão étnico-raciais retratados. São elas: Vivo, Ernst Young Auditores Independentes, PWC, BASF e Corteva Agriscience. As participantes preencheram um questionário digital e foram avaliadas pela transparência das políticas de inclusão de profissionais negros. A análise dos dados ficou a cargo do Instituto Data Zumbi.

O IERE considera seis pilares: Censo de Funcionários (governança dos dados do público interno); Conscientização (ações de educação sobre a agenda); Recrutamento e Seleção (métodos para atrair profissionais negros); Capacitação (treinamento dos talentos); Ascensão (políticas para a promoção desses funcionários); e Publicidade e Engajamento (medidas para envolver a cadeia de valor na adoção das boas práticas). Para o professor Valdir Martins, da Iniciativa, o engajamento do setor privado é crucial para uma sociedade mais justa . “O governo atual escancarou o racismo, as empresas precisam reverter o quadro.” Exemplos inspiradores existem e as Empresas Destaques do IERE-2021, provam isso.

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