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O craque de R$ 1,5 bilhão

Na transação mais cara da história do futebol, Neymar Jr. vai para o Paris Saint-Germain com a missão de levar o clube parisiense à elite do futebol mundial

Crédito: AFP Photo / Lionel Bonaventure

Bola pra frente: Neymar Jr. veste pela primeira vez a camisa 10 do PSG, durante sua apresentação oficial, na sexta-feira 4 (Crédito: AFP Photo / Lionel Bonaventure)

No dia 8 de março deste ano, o jogador de futebol Neymar Jr. saiu de campo aclamado como um herói. O atleta do Barcelona foi um dos protagonistas do histórico jogo no qual a equipe catalã venceu por 6 a 1 o Paris Saint-Germain (PSG), no Camp Nou, classificando-se para a semifinal da Champions League, principal torneio de clubes europeu. Neymar Jr. fez dois gols e foi determinante para que o Barça revertesse o placar de 4 a 0, sofrido na primeira partida em Paris, uma semana antes. Cinco meses depois, o craque da Seleção Brasileira torna-se de novo o centro das atenções. Dessa vez, por trocar o Barcelona pelo time do qual foi algoz, o PSG, na transação mais cara da história do futebol.

Magnata: o catariano Al-Khelaifi (à esq.)comprou o PSG em 2011 e investiu muito dinheiro em contratações (Crédito:AFP Photo / Philippe Lopez)

O clube de Paris pagou, na quinta-feira 3, a multa rescisória para contar com Neymar Jr. em seu plantel. O valor são incríveis ‎€ 222 milhões (aproximadamente R$ 820 milhões). O ex-camisa 11 do Barcelona fechou ainda um contrato de cinco anos no qual receberá ‎€ 150 milhões (cerca de R$ 550 milhões) no período. Esse valor pode ser acrescido em ‎€ 10 milhões anuais (algo em torno de R$ 36 milhões por ano) por metas alcançadas e projetos de marketing. Somados o valor da multa rescisória, os salário líquidos, os bônus e os projetos de marketing, a transação chega a inacreditáveis R$ 1,5 bilhão. “Nunca foi pelo dinheiro. Vim pelo desafio”, disse Neymar Jr. , na sexta-feira 4, quando foi apresentado oficialmente pelo PSG, em Paris.

Esses valores fazem Neymar Jr., que vestirá a camisa 10 do PSG, valer mais do que empresas como a varejista Lojas Marisa, a construtora Even e o banco Banestes, cuja capitalizações estão na casa de R$ 1 bilhão cada. “O Neymar Jr. é uma celebridade global e está presente em todos os mercados do mundo”, afirma Dayyán Morandi, presidente da LX Sports Group. Além dos ganhos como jogador, Neymar Jr. recebe estimados US$ 22 milhões ao ano em contrato de patrocínios. Empresas como Nike, Panasonic, Gillette e Red Bull são algumas que associam seus produtos à imagem do craque brasileiro Os mimos para atrair o jogador incluíram também pagar pela sua residência em Paris. Ele deverá morar no Villa Montmorency, um famoso condomínio fechado da capital francesa.

Neymarmania: torcedores do PSG fazem fila em loja oficial do clube, na avenida Champs-Élysées, em Paris, na sexta-feira 4 (Crédito:AFP Photo / Philippe Lopez)

Seus vizinhos devem ser o ex-presidente Nicolas Sarkozy e sua mulher, Carla Bruni, além de Serge Dassault, dono da fabricante de jatos executivos que leva seu sobrenome. A transferência eleva Neymar Jr. a outro patamar da constelação de craques futebolísticos. Ele já era uma das estrelas do futebol mundial, mas ficava à sombra do argentino Lionel Messi e do português Cristiano Ronaldo, astros do Barcelona e do Real Madrid, respectivamente. Ambos têm times para chamar de seu. Agora, o atleta brasileiro poderá até indicar atletas para serem contratados pelo PSG e terá a missão de liderar o time parisiense ao sonhado título da Champions League, uma obsessão de Nasser Ghanim Al-Khelaifi, um magnata do Catar que comprou o PSG, em 2011.

Desde então, o empresário catariano já investiu ‎€ 600 milhões para alcançar esse objetivo, mas sempre ficou pela caminho. “O Neymar Jr. está trocando o Barcelona, uma potência do futebol, pelo PSG, uma força emergente”, afirma Amir Somoggi, consultor especializado em marketing esportivo. “Em outras palavras, está trocando o certo pelo incerto.” A milionária transação levantou dúvidas se o PSG estaria cumprindo as regras do fair play financeiro da Uefa, entidade que representa os times europeus. Segundo essa norma, nenhum time pode gastar ‎€ 30 milhões a mais do que sua receita.

No ano passado, o clube parisiense arrecadou ‎€ 521 milhões, o que faz do PSG o sexto clube mais rico do mundo. Mas essa receita só foi possível graças aos generosos investimentos do Qatar Sports Investment (QSI), braço esportivo do Qatar Investment Authority (QIA), fundo criado pelo governo catariano para investir em diversos projetos espalhados pelo mundo. “Em seis anos, nós montamos um projeto muito ambicioso que já nos levou ao mais alto nível do futebol nacional e europeu”, disse Al-Khelaifi, em um comunicado, logo após o anúncio da contratação de Neymar Jr. Caberá ao jogador brasileiro levar o PSG à elite do futebol mundial e mostrar em campo que valeu a pena gastar tanto dinheiro para contar com os seus gols.