Economia

O CONSELHEIRO FOX

Em visita oficial ao Brasil, o presidente do México, Vicente Fox, conseguiu na quarta-feira 3 uma proeza. Ele encontrou tempo para, em meio aos compromissos oficiais em Brasília, fazer diagnósticos sobre a política econômica brasileira, cujo rumo, segundo ele, ?está muito bem traçado?. Com suas botas de fazendeiro, Fox ainda se dispôs a dar conselhos a cada um dos quatro candidatos a presidente. ?O Brasil adotou as regras básicas em vigor no mundo?, disse ele após almoço oferecido pelo presidente Fernando Henrique no Palácio do Itamaraty. ?Quem quer que venha a vencer as eleições, deve continuar a segui-las?. Reservou ao candidato Lula, do PT, e suas relações com a mídia uma avaliação especial. ?Como político, ele tem de ser mais convincente e a imprensa, menos resistente.? Toda essa franqueza não despertou reclamações sobre ingerência estrangeira em assuntos internos do País. Ao contrário. Fox seguiu na mesma noite para Buenos Aires, para participar de uma reunião de cúpula do Mercosul, deixando aqui a fama de bom conselheiro. Uma avaliação proporcional ao peso econômico do México, país que exportou no ano passado US$ 180 bilhões e com o qual o Brasil conseguiu um saldo comercial de US$ 1,2 bilhão.

?A economia mexicana já passou da fase da abertura comercial para, neste momento, estar pronta a fazer investimentos externos?, diz Alberto Feifer, do Conselho de Empresários da América Latina, um dos participantes do café da manhã a portas fechadas organizado em torno de Fox e sua comitiva. ?O principal recado deixado por ele foi o da disposição das empresas mexicanas em investir no Brasil. Era o que desejávamos ouvir.? Além da boa impressão, a passagem do presidente mexicano foi marcada pela assinatura de um acordo bilateral de comércio que reduzirá em até 100% as alíquotas de importação sobre 789 produtos. ?Em 90% dos casos, essa redução vai se dar de modo recíproco no México e no Brasil?, lembra David Simon, encarregado de Assuntos Econômicos da embaixada mexicana em Brasília. ?Os dois países são os líderes da região e, com o acordo, deram um exemplo concreto de cooperação.?



Antes de partir para Buenos Aires, Fox recebeu na embaixada mexicana os quatro presidenciáveis brasileiros. Em conversas separadas e privadas, eles puderam ter contato com o homem que oferece churrascos em seu rancho no México ao presidente americano George Bush e, além disso, é o maior parceiro comercial dos Estados Unidos na região latino-americana. Todos saíram ganhando. Os candidatos, ao conhecerem um interlocutor de amanhã, a quem puderam, desde logo, manifestar seus temores frente as negociações da Área de Livre Comércio das Américas e criticar a onda protecionista americana . E Fox porque voltará a seu país conhecendo melhor o futuro governante brasileiro, qualquer que seja ele. ?Para nós, é estratégico conhecermos o pensamento desses candidatos e saber até onde vão suas propostas?, frisou o presidente. Pelo acordo comercial, a capacidade diplomática e a simpatia pessoal, Fox, como diz o ditado hispânico, deixou o Brasil pela porta grande.



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