Tecnologia

O CHIP BROTOU NA SECA

Campina Grande, na Paraíba, tem picos de temperatura de 32 graus, mas foi sob a proteção de um ar-condicionado bem gelado que empresários da cidade tomaram uma das decisões mais importantes nos últimos tempos para a economia local. Dez empresas de tecnologia da região decidiram reunir forças e montaram um consórcio para disputar oportunidades no mercado internacional. O grupo reúne companhias de software hospitalar, de reconhecimento de voz e até um fabricante de painéis de mensagens, como aqueles localizados
em estações de metrô em todo o mundo. A intenção é exportar
US$ 2 milhões nos próximos dois anos. Pode parecer pouco, mas a principal importância dessa estratégia é a visibilidade que Campina Grande ganhará em outros mercados.

A cidade está entre as poucas do País onde há um pólo de pesquisa e tecnologia consolidado. O prestígio de Campina Grande nesse universo se equipara em alguns casos a centros de grandes instituições brasileiras. Com esse currículo, três empresas já experimentaram o gosto do mercado internacional, mas por falta de fôlego vários projetos foram adiados. Com o consórcio, o cenário fica mais claro. ?Vamos dividir custos e aumentar os lucros?, diz o idealizador do projeto Alexandre Moura, diretor da LightInfocon, dona de contratos na China. O primeiro resultado dessa iniciativa será visto durante a próxima Cebit, a maior feira mundial da indústria de tecnologia que acontecerá em março, na Alemanha. O Brasil terá 21 companhias fazendo negócios. Desse universo, cinco serão de Campina Grande. ?É um passo que ninguém teria como realizá-lo sozinho?, diz Moura. O alvo principal são os mercados dos Estados Unidos, Itália, Alemanha e Espanha. A estratégia é descobrir nichos no setor privado e participar de projetos governamentais. A iniciativa paraibana não é a primeira no País. Outras fracassaram por falta de sintonia entre seus participantes. ?Isoladas, o sucesso poderia demorar um pouco mais para chegar. Juntas, deve vir mais rápido?, diz Rogério Bellini, assessor técnico da Agência de Promoção à Exportação, do Ministério do Desenvolvimento. É essa a maior aposta do consórcio paraibano.





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