Estilo

O champagne que desperta os sentidos

Olivier Krug, diretor da Maison que leva seu sobrenome, traz ao Brasil o Grande Cuvée 166Ème e conta por que essa bebida precisa ser harmônica como uma sinfonia

Crédito: Claudio Gatti

TRADIÇÃO DE FAMÍLIA: Olivier Krug faz parte da sexta geração da família no comando da casa de champanhe francesa que leva o sobrenome do clã (Crédito: Claudio Gatti)

Beber champanhe logo de manhã pode parecer esnobismo, mas não para Olivier Krug. Para ele, é apenas negócio. O rótulo que ele degusta desde as primeiras horas do dia leva o sobrenome de sua família, Krug, que há seis gerações produz uma bebida lendária. Desde 1989, Olivier dirige a maison fundada pelo tataravô Joseph em 1843. E tem uma função bem mais do que administrativa. Ele é responsável por criar os sabores únicos do Krug.

Espumante produzido exclusivamente em regiões demarcadas da França a partir de uma ou várias uvas (Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay são normalmente usadas como base, mas podem ainda entrar no blend pequenas porções de Pinot Blanc, Pinot Gris e Petit Mesliter), o champanhe é quase sempre resultado da combinação de safras distintas do mesmo produtor. O Grande Cuvée 166Ème, lançado durante a rápida passagem de Oliver Krug pelo Brasil, contém 120 vinhos de 13 safras diferentes (de 1996 a 2010). Depois da mistura, cada garrafa passou sete anos em repouso na adega da vinícola em Reims, na França. “Demora mais de vinte anos para fazer uma garrafa de Krug”, diz Olivier. “Somos obcecados pelos detalhes.”

DESDE 1843 : a maison Krug, em Reims, noroeste da França, onde são produzidas as uvas que compõem alguns dos mais cobiçados champanhes (Crédito:Divulgação)

Degustar champanhe pela manhã, por volta das nove horas, é parte dessa obsessão. “É o melhor horário porque o paladar está limpo”, diz ele. Na curta passagem pelo País, Krug experimentou caipirinha, mas gostou mesmo foi de uma cachaça que bebeu pura — e que se recusou a revelar o nome. Ele também esteve na única embaixada da marca na América do Sul, no restaurante Kinoshita, em São Paulo, que pertence a Marcelo Fernandes. Segundo Olivier, a culinária japonesa é a que melhor harmoniza com champanhe. Não por acaso o Japão é o principal mercado para Krug, que introduziu a bebida no país assim que seu pai o convidou para sucedê-lo na direção da empresa. “Fui um pioneiro, e os japoneses me recompensaram”, diz. O país é hoje o quinto do mundo em consumo de champanhe, segundo dados da consultoria Euromonitor.

Embora pareça impossível fazer um bom champanhe todos os anos por conta das variações climáticas, a casa segue impressionando devido à estratégia do fundador Joseph Krug, que continua a ser seguida até hoje. “Ele decidiu ser extremamente seletivo com os elementos que usava”, diz Olivier. “Tinha bons fornecedores e conseguia manter alguns componentes como reserva, como uma biblioteca para anos não tão bons.”

A mistura dos melhores vinhos para conseguir o assemblage perfeito garante à marca Krug um lugar de destaque entre os melhores champanhes do mundo. Algumas garrafas alcançam valores estratosféricos, caso do Krug Clos D’Ambonnay, vendido a R$ 20 mil.

Em 1999, a LVMH incluiu a vinícola no seu portfólio, mas a família Krug seguiu no comando. Oliver gosta de comparar a bebida a uma orquestra, na qual os melhores elementos compõem uma perfeita sinfonia no paladar. “As pessoas que gostam de Krug descrevem o vinho como música, pois há muitos aromas, como se fossem vários instrumentos juntos”. Por isso a Krug a oferece também uma experiência musical. Desde 2011, as garrafas trazem um selo que permite ao usuário baixar um aplicativo e apreciar uma seleção de músicas — jazz, eletrônica e world music — criadas especialmente para a marca. A casa trabalha com neurocientistas da universidade de Oxford e afirma ter alcançado uma conexão entre as áreas de prazer do cérebro que tornam o champanhe ainda mais especial com a música certa.