Negócios

O CEO que fez a Usiminas decolar

O mineiro Sergio Leite levou a empresa ao maior lucro em uma década, a despeito das dificuldades enfrentadas por toda a indústria no ano passado.

Crédito: Claudio Belli

"Passada a fase mais aguda, quando tomamos medidas drásticas, ficamos mais preparados para reagir” Sergio leite, CEO da usiminas. (Crédito: Claudio Belli)

Nos corredores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o belo-horizontino Sergio Leite, CEO da siderúrgica Usiminas desde 2016, é lembrado pelos mais antigos como um dos mais dedicados alunos de mestrado em engenharia, de onde saiu com o canudo na mão há quatro décadas. Contemporâneo de outros grandes nomes do setor do aço, como Roberto Carvalho, ex-presidente da Samarco, o executivo construiu uma sólida reputação na indústria brasileira do aço. Mas é no comando de uma das maiores companhias do setor no País que Leite está consolidando sua credibilidade. Depois de um longo ciclo de sufoco entre 2013 e 2018, quando o mercado desabou e os sócios da companhia, Ternium e Nippon Steel, se digladiaram nos tribunais, Leite assumiu as rédeas e colocou os negócios de volta ao prumo. “Voltamos a ser uma empresa normal”, disse o presidente da siderúrgica, em tom de alívio. Ele chegou a ser afastado por alguns meses devido à decisão judicial impetrada pela Nippon Steel, que foi contra sua nomeação, mas voltou ao cargo depois de convencer os acionistas.

Dias atrás, Leite transformou em números seu esforço de corrigir a rota da empresa nos últimos anos. Em um período marcado por oscilações na demanda e constantes reajustes nos preços do aço, a Usiminas contabilizou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão em 2020, o maior resultado em dez anos. O resultado representa crescimento de 243% sobre 2019. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 3,2 bilhões e foi o melhor desempenho desde 2008. Apenas no quarto trimestre, o lucro líquido foi de R$ 1,9 bilhão contra R$ 198 milhões no trimestre anterior um crescimento de 866% enquanto o Ebitda Ajustado consolidado chegou a R$ 1,6 bilhão, contra R$ 826 milhões no trimestre anterior, uma alta de 95% (leia mais à página 62).

Os dados são atribuídos pelo CEO à capacidade da empresa em superar dificuldades. “Passada a fase mais aguda da crise, quando tivemos que tomar medidas drásticas como o desligamento de dois dos nossos altos-fornos, ficamos mais preparados para reagir”, disse Leite, ao citar a retomada das operações do alto-forno 1, em agosto passado, e na religação de outro alto-forno, programado para junho, para o aumento da produção de aços planos. “A demanda está bem aquecida, a economia brasileira vai bem e as perspectivas para este exercício são positivas, com projeção de avanço de 3,5% no PIB (Produto Interno Bruto) e de 6% na demanda por produtos siderúrgicos”, afirmou.

DEMANDA AQUECIDA Aumento das exportações de aço, cotação do metal em alta e real desvalorizado ajudaram a Usiminas a registrar recordes. (Crédito:Istock)

Um das locomotivas da recuperação conduzida por Leite foi a disparada da venda de aços planos, que chegou a 1,1 milhão de toneladas, maior volume desde o último trimestre de 2015, e de minério de ferro, de 8,7 milhões de toneladas no ano, recorde histórico. Além disso, o ano foi encerrado com o maior caixa anual desde 2011, com R$ 4,9 bilhões. “Ano passado, tivemos um impacto forte no mercado interno, com relação à própria queda do PIB e no consumo do aço, principalmente no segundo trimestre, mas a mineração foi beneficiada em relação ao preço do minério e do dólar”, disse.



Embalado pelos bons resultados, a Usiminas vai investir R$ 1,5 bilhão neste ano, quase o dobro dos R$ 800 bilhões aportados em 2020. Desse valor, R$ 1,2 bilhão vai para a unidade de siderurgia, com R$ 600 milhões para a reforma do alto-forno 3 da Usina de Ipatinga. Os outros R$ 600 milhões têm como foco investimentos em saúde, segurança, sustentabilidade e meio ambiente. Já a unidade de mineração terá R$ 250 milhões de aportes totais. Do valor, R$ 90 milhões vão para o projeto de filtragem e empilhamento a seco de rejeitos. “A partir da inauguração desse sistema, não utilizaremos mais barragens”, afirmou o executivo.

PERSPERCTIVAS Os recordes da Usiminas, muito provavelmente, não são apenas uma história do passado recente. A perspectiva de aceleração da indústria global pós-pandemia e a permanência do real depreciado neste ano são fatores que alimentam o otimismo da companhia. Na avaliação de Leite, tanto o aço quanto do minério de ferro devem continuar em patamares favoráveis. “O cenário é positivo para o Brasil neste ano e o mercado seguirá o preço do mercado”, afirmou.

Seja pela retomada das vendas, pelo dólar favorável às exportações pela forma como conduz a empresa, Sergio Leite segue forjando a companhia ao seu estilo mineiro – para orgulho da UFMG e para alegria dos acionistas da Usiminas.

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