Negócios

O brasileiro que conquistou a rainha

Por que Carlos Lima, fundador da consultoria Integration, fez história no Reino Unido ao levar quase R$ 900 milhões em investimentos da América Latina

O tradicional ranking anual das melhores consultorias em gestão do Reino Unido, elaborado pelo jornal Financial Times em parceria com a empresa de dados Statista, foi recebido com festa num escritório em São Paulo localizado a milhares de quilômetros de distância de Londres. Divulgado no fim de janeiro, ele trazia a consultoria brasileira Integration. Ela era a única do Brasil listada entre as 29 categorias, destacada nos segmentos de relacionamento, vendas e clientes e de compliance, risco e finanças, ao lado de multinacionais do porte de Accenture, EY, KPMG e PwC. Para conseguir tamanho prestígio, a Integration realizou, nos últimos três anos, um incansável trabalho de atração de empresas da América Latina para abrirem suas operações na terra da Rainha.

No ano passado, 26 companhias latino-americanas abriram uma filial por lá. É uma expansão de quase nove vezes a média histórica de duas a três novas instalações ao ano, até 2015. Com um detalhe: companhias do Brasil e do México estavam fora da lista porque o contato é feito diretamente pelas embaixadas. “Tivemos o cuidado de montar um planejamento bem-feito, de país a país, para identificar quais eram as empresas potenciais”, diz Carlos Lima, fundador e presidente da Integration. “Em seguida, tivemos de nos preocupar com a qualidade da entrega, com um viés mais técnico do funcionamento das regras.”

A Integration chegou no Reino Unido por meio de uma concorrência pública. O país possui um amplo e tradicional programa de atração de capital estrangeiro e promoção de seu mercado no exterior, por meio do Department for International Trade (DIT, equivalente ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, no Brasil). Com os principais parceiros comerciais, esse trabalho é feito em parceria com as embaixadas. Para os países menores, o DIT abre uma licitação em busca de especialistas. Em 2014, a consultoria brasileira sagrou-se vencedora e ficou responsável por toda a América Latina, exceto Brasil e México. Seria a primeira vez que a Integration, fundada em 1995, faria um trabalho para o setor público. “Tivemos de aprender como preparar uma proposta e a documentação, pois escolhemos ficar longe desse risco no Brasil”, afirma Lima.

De sol a sol: o veículo autônomo de golf, criado pela argentina Baro Vehicles, é movido a energia solar. Agora, a empresa está aprimorando a tecnologia no Reino Unido (Crédito:Divulgação)

Todos os países da região foram estudados, mas a Integration concentrou seus esforços em empresas de Argentina, Chile e Colômbia, além de Peru e Uruguai. Foram realizados mais de 150 eventos para cerca de 500 companhias entenderem as vantagens de se investir no Reino Unido e para detalhar todo o processo burocrático para a instalação do negócio. Além do mercado consumidor interno, de impostos reduzidos e de facilidades para empresas de inovação, havia o atrativo de o país ser a porta de entrada para a União Europeia (algo que ficou indefinido após o Brexit).

Curiosamente o país do Brexit quer atrair o maior número possível de estrangeiros. Mas só os que tem capital. No final do ano passado, quase R$ 900 milhões haviam ingressado no país por intermédio da consultoria brasileira, que recebe uma pequena remuneração fixa e uma porcentagem pelo volume de investimento. “A América Latina nunca tinha sido explorada pelo Reino Unido e a posição dos países emergentes, em termos de atração de investimentos, era muito baixa”, diz Guido Solari, responsável pelas operações da Integration no Cone Sul. “Demos um suporte pró-ativo para as empresas latino-americanas deixarem de pensar que era caro, difícil e pouco competitivo esse novo mercado.”

Do total de 51 empresas que começaram a investir no Reino Unido, os principais setores que ingressaram foram os de tecnologia da informação, economia criativa, fintech e bebidas e alimentos (veja alguns exemplos no quadro ao final da reportagem). Um caso interessante é o da argentina Baro Vehicles, fabricante de carros elétricos autônomos de golf, em fibra de carbono e movidos a energia solar. A empresa é praticamente uma startup, criada em 2015 na cidade de Santa Fé. A Baro precisava estabelecer-se em um mercado mais industrializado e a consultoria brasileira mostrou todo o suporte que o governo do Reino Unido daria para receber o investimento. A fabricante argentina investiu R$ 46,2 milhões para montar uma unidade próxima à fábrica da Jaguar, no Mira Technology Park, uma área de pesquisa de desenvolvimento da indústria automotiva. “Nossa empresa desenvolve todo o chassi na Argentina e a tecnologia no Reino Unido, devido à simplicidade para a importação, os processos de exportação e o conhecimento específico sobre veículos autônomos”, diz Gabriel Giani, CEO da Baro Vehicles.

Com 300 profissionais espalhados em escritórios de sete países, a Integration atende 500 empresas ao redor do mundo, entre elas as contas de Diageo, Red Bull e L’Oréal. Além do prestígio de te sido indicada como uma da melhores consultorias do Reino Unido, a consagração da Integration aconteceu no fim do ano passado no MCA Awards 2017, considerado o Oscar do setor de consultoria do país. Dos 140 projetos avaliados, a empresa brasileira ficou em primeiro lugar na categoria Change Management no Setor Público. Mais importante, porém, foi a conquista do prêmio de Projeto do Ano, uma honraria que, pela primeira vez em 20 anos de existência da premiação, foi concedida para uma empresa brasileira. Com as honras da Rainha.

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