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“O brasileiro entrega menos e talvez precise de mais foco e objetividade”, diz o presidente da AccorHotels para a América do Sul

No programa MOEDA FORTE desta semana, Carlos Sambrana, diretor de redação da ISTOÉ DINHEIRO, recebe Patrick Mendes, CEO da AccorHotels para a América do Sul. O plano do executivo francês é ambicioso: fazer com que o grupo hoteleiro tenha 500 hotéis na região até 2020. Atualmente a rede conta com 335 unidades na América do Sul. Ou seja, terá de abrir 165 unidades em dois anos e meio. Será que ele vai conseguir? Nesta entrevista, dividida em cinco blocos, ele conta qual será sua estratégia.

Neste quinto bloco (acima), ele fala sobre carreira e liderança. O executivo, que trabalhou em mais de oito países, acha a experiência internacional fundamental para o desenvolvimento da carreira. “Vejo jovens brasileiros muito focados em trabalhar apenas no País e que não falam outros idiomas”, diz. Mendes conta que demorou dois anos para se adaptar às diferenças culturais. “Para o brasileiro trabalhar de maneira mais eficiente e objetiva ele tem que participar das decisões”, afirma. O presidente da Accor também fala do desafio de trabalhar com a nova geração. “Eu e meu corpo diretivo temos que nos atualizar constantemente. Temos grupos de trabalho que misturam jovens que acabaram de chegar e pessoas mais velhas que estão na empresa há 20 anos”, explica. Ele também comenta quais são os desafios do gestor. “O líder precisa ter um processo de identificação de talentos e ter muita proximidade com os funcionários”, diz.

BLOCO 4

O executivo fala sobre política e economia. De acordo com o executivo, a Accor teve altos e baixos no País nos últimos anos, mas o Brasil é um mercado importante e prioritário. “Para enfrentar as crises é preciso ter foco, resiliência e ser global”, diz. Nos últimos três anos, o grupo fechou 12 hotéis no Brasil, mas abriu 130. Mendes destaca ainda que a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos transformaram a rede hoteleira e a malha aérea do País e que, desde outubro de 2017, estão sentindo a retomada da economia. “A hotelaria é totalmente ligada à máquina econômica”, afirma.

BLOCO 3

Mendes fala sobre investimentos no Brasil. O executivo conta que, no ano passado, o Brasil foi o segundo país que mais abriu hotéis do grupo no mundo. Foram 52 hotéis. “Vamos investir mais de R$ 300 milhões para converter hotéis em marcas Accor em várias cidades do País”, diz. Recentemente o grupo adquiriu várias empresas e pousadas na América do Sul. “Aproveitamos a crise para comprar ativos que estavam mais baratos”, afirma. O grupo vai abrir 40 hotéis na região em 2018. “Será um hotel a cada 10 dias”, conta. Mendes destaca ainda que, a partir de setembro, vários serviços como academia, restaurantes, bares, salas de reuniões, delivery de comida e lavanderia serão oferecidos também para a vizinhança dos hotéis.

BLOCO 2

Mendes sobre transformação digital. De acordo com o executivo, as plataformas digitais como o Airbnb tiveram um impacto positivo no mercado hoteleiro, pois obrigaram a empresa a pensar e achar novas soluções. “Compramos três empresas que fazem a gestão de apartamentos de terceiros e oferecem serviços como limpeza e café da manhã”, conta. Além disso, segundo Mendes, o grupo investe mais de US$ 200 milhões por ano em tecnologia. “O consumidor não quer mais padronização, quer ser surpreendido, quer uma experiência diferente mesmo em um hotel econômico”, afirma.

BLOCO 1

O executivo fala da expansão mundial do grupo, que hoje tem mais de 4.300 hotéis, mais de 250 mil funcionários e opera em todas as categorias de hotel, do super econômico ao super luxo. “O AccorHotels é hoje um dos cinco grandes grupos mundiais da hotelaria e do turismo”, afirma. No Brasil, a Accor opera com 14 marcas e tem planos de investir no segmento de luxo, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. “São Paulo tem potencial para mais hotéis de luxo e boutiques cinco estrelas para turismo de negócios”, diz.