Protestos dos indígenas contra o governo Bolsonaro, o uso da janela partidária pelos políticos brasileiros e o papel que de observador UE poderá ter na eleição presidencial foram destaques na mídia da Alemanha.Tagesschau – Indígenas contra Bolsonaro (10/04)

O presidente do Brasil quer legalizar retroativamente a apropriação ilegal de terras e permitir a mineração em áreas protegidas. Os indígenas lideram o protesto contra Bolsonaro. E eles querem representar seus interesses no Parlamento.

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Pará e Mato Grosso são os dois estados que mais perderam floresta tropical desde a posse de Bolsonaro. Lenhadores, garimpeiros e pecuaristas continuam invadindo territórios indígenas – com o apoio de Bolsonaro. Seu governo introduziu todo um pacote de leis no Parlamento que, do ponto de vista dos povos indígenas, alimentaria ainda mais a destruição ambiental.

Entre outras coisas, o plano é legalizar retrospectivamente a apropriação ilegal de terras, interromper a demarcação de novos territórios indígenas e permitir a mineração em áreas protegidas.

Este projeto de lei, que leva o número “PL 191”, ganha agora nova explosividade. Porque Bolsonaro quer usá-la para minerar potássio em áreas indígenas, que é necessário para a produção de fertilizantes. A guerra na Ucrânia gerou escassez, argumenta Bolsonaro. Até agora, o Brasil importava fertilizantes artificiais principalmente da Rússia e de Belarus. Bolsonaro está usando a guerra como desculpa para promover a mineração em territórios indígenas, segundo Marcelo Tembé. Entretanto, não há grandes depósitos na região. “Lutaremos até o último indígena para defender nossos territórios, nossa mãe terra, que é sagrada para nós. Dizemos não à mineração, não aos ataques à nossa terra, fora Bolsonaro.”

Frankfurter Allgemeine Zeitung – A política brasileira é como no futebol (08/04)

Políticos no Brasil mudam de partido como jogadores de futebol mudam de clube. Antes da grande eleição em outubro, 130 parlamentares mudaram de cor política. O presidente Jair Boslonaro também tem uma nova casa. A seis meses das eleições no Brasil, a composição do Congresso mudou completamente. O motivo: os titulares de cargos políticos têm a opção de mudar de partido enquanto ainda estão no cargo.

Cerca de 130 deputados federais em Brasília usaram a janela aberta até o início de abril – que é semelhante ao período de transferências no futebol – para fazer uma mudança, o que corresponde a cerca de um quarto de todos os deputados. No nível regional, em alguns estados, são até milhares que agora defendem uma cor política diferente. Acima de tudo, eles esperam que sua “transferência” lhes dê um bom ponto de partida para as eleições de outubro, quando os brasileiros elegerão novos deputados federais, senadores, governadores e parlamentos regionais, além do presidente.

O número de partidos é enorme. O país tem nada menos que 32, 23 dos quais estão representados no Congresso. Uma cláusula de desempenho introduzida na última eleição deve ser elevada a 3% dos votos válidos até 2030, a fim de limitar a confusão. Os partidos que passam por esse obstáculo perdem o financiamento de um fundo estatal e seu tempo de publicidade gratuito no rádio e TV. Isso deve reduzir significativamente o grande número de partidos no Congresso. Com exceção de alguns partidos tradicionais, muito poucos têm uma base leal de eleitores entre a população. A maioria não tem um perfil claro. Como na maioria dos países latino-americanos, muitos partidos no Brasil se levantam e caem junto com as personalidades que lhes pertencem.

Frankfurter Allgemeine Zeitung – UE poderá observar eleição no Brasil (12/04)

A principal autoridade eleitoral do Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), convidou a União Europeia para observar as eleições presidenciais e parlamentares de outubro próximo. A informação é da agência Reuters, citando fontes familiarizadas com o assunto no TSE.

O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, teria agradecido ao TSE pelo convite no mês passado e afirmado que os 27 países membros do bloco e o Parlamento Europeu seriam consultados sobre o assunto. Segundo informações da Reuters, uma delegação da UE também deve viajar ao Brasil em maio para examinar a viabilidade de uma missão de observação. Seria a primeira missão desse tipo no Brasil. A embaixada da UE em Brasília ainda não comentou a notícia.

O Brasil está diante de uma eleição presidencial bastante polarizada e agitada. As pesquisas até agora apontam para um segundo turno entre o atual presidente de direita, Jair Bolsonaro, e o ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas. No passado, Bolsonaro repetidamente questionou a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e das urnas eletrônicas. Ele afirma que o sistema é suscetível a manipulação, e pede votos impressos passíveis de controle. Bolsonaro também questionou a independência da autoridade eleitoral.

md (ots)