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O atacarejo da Leroy Merlin

Grupo francês Adeo investirá R$ 1 bilhão para estruturar duas novas bandeiras no Brasil. A ideia é vender em grandes quantidades com um modelo que já faz sucesso no varejo supermercadista

Crédito: Divulgação

Em obras: por meio da marca Obramax, a empresa quer atrair o profissional que compra altos volumes de materiais. Já o público feminino é o foco da Zôdio (Crédito: Divulgação)

Nos últimos dois anos, o setor de supermercados se voltou com força a um nicho do varejo para diminuir os efeitos da crise: o atacarejo. O termo foi cunhado para designar as lojas sem preocupação com a estética do local, que funcionam como grandes galpões, vendendo produtos em grandes quantidades com preços mais baixos. Durante a recessão, uma migração dos clientes ocorreu dos supermercados e hipermercados para os seus corredores. Com isso, as bandeiras Atacadão e Assai se tornaram as joias do Carrefour e do GPA, respectivamente, se consolidando como as redes de crescimento mais rápido de seus grupos. Agora, o conceito chega a um novo nicho do mercado, o de materiais de construção.

O grupo francês Adeo, dono da marca Leroy Merlin, acaba de trazer ao Brasil a rede europeia Bricoman/Bricomart. Na Europa, são 77 pontos, na França, Espanha, Itália e Polônia. Aqui, ela vai operar com um nome bastante tropicalizado: Obramax. A primeira loja foi inaugurada em janeiro, em São Paulo, num espaço de 10 mil metros quadrados. Foram investidos R$ 110 milhões na unidade. Mas há R$ 1 bilhão reservados pela matriz para a abertura de 10 pontos pelos próximos cinco anos. A configuração também é uma novidade. O cliente caminha por um único grande corredor central que dá acesso aos 18 mil itens ofertados, dispostos em fileiras organizadas por categorias.

Mas a Obramax não é a única novidade do grupo francês no Brasil. O Adeo também lançou em dezembro – na Marginal Tietê, uma das mais importantes artérias de tráfego de São Paulo – a sua bandeira Zôdio, de produtos e utensílios domésticos, como duchas e frigideiras, além de ofertar cursos de decoração e gastronomia. “Com a Obramax e a Zôdio, temos uma oferta completa para a casa”, diz Gauthier Lenglart, CEO da Zôdio. “Há uma coesão entre as marcas. A pessoa faz uma reforma do banheiro e pode comprar até as tolhas.” Com isso, faz mais sentido a estratégia da Leroy Merlin de ter cada vez mais itens de decoração. “O grupo está entrando em dois nichos nos quais vai nadar de braçada, sem concorrentes diretos”, diz Heloisa Omine, sócia da consultoria de varejo R2E – Retail2Engage. Deve rivalizar em certas categorias com Etna, Tok&Stok e os centros de compras D&D e Interlar, avalia a consultora.

A estratégia permite ao grupo Adeo crescer sem depender apenas da Leroy Merlin, presente há 20 anos no Brasil. Ex-líder de mercado, a rede foi ultrapassada no ano passado pelo também francês Saint Gobain, no País. O grupo rival, dono da marca Telhanorte, adquiriu, no ano passado, a rede gaúcha Tumelero e chegou a 70 pontos de venda. A Leroy Merlin possui 41 lojas. E continua investindo. Ela acaba de inaugurar, ao lado da primeira unidade da Zôdio, uma nova loja com quase o dobro do tamanho da que tinha na mesma via. O objetivo é vender 50% mais do que comercializava na loja antiga. Com isso, a rede pretende faturar mais de R$ 5 bilhões neste ano, uma alta de 10%.