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O apoio contínuo de Trump a Israel

O apoio contínuo de Trump a Israel

(Set/2019) Cartaz eleitoral do partido Likud em Jerusalém mostra o presidente americano, Donald Trump, cumprimentando o premier de Israel, Benjamin Netanyahu - AFP/Arquivos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém, desde a sua chegada ao poder, em 2017, uma política de apoio sem fissuras a Israel, multiplicando as decisões que rompem com a tradição diplomática americana e o consenso internacional.

– Primeiras rupturas –

Em 15 de fevereiro de 2017, menos de um mês após sua posse, Trump reitera sua disposição a supervisionar um acordo de paz entre israelenses e palestinos.

O presidente americano anuncia, porém, que Washington não se apega à solução de dois Estados, isto é, a criação de um Estado palestino que coexista com Israel, rompendo com décadas de tradição diplomática americana.

No final de março, a nova embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, promete que a “humilhação” de Israel nas Nações Unidas “acabou”.

Em maio, Trump viaja para Israel e para os Territórios Palestinos ocupados. Curva-se diante do Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém, uma primeira vez para um presidente americano.

No começo de setembro, os palestinos classificam de “inaceitáveis” as declarações do embaixador de Estados Unidos em Israel, David Friedman, sobre uma “pretensa ocupação” dos Territórios Palestinos.

– Jerusalém –

Em 6 de dezembro de 2017, Trump reconhece unilateralmente Jerusalém como capital de Israel, provocando a ira dos palestinos e a reprovação da comunidade internacional.

O estatuto da Cidade Santa é um dos problemas mais espinhosos do conflito, já que os palestinos desejam que Jerusalém Oriental – ocupada e anexada por Israel desde 1967 – seja a futura capital do Estado a que aspiram.

No dia 14 de maio de 2018, a transferência da embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém coincide com um banho de sangue da Faixa de Gaza, onde cerca de 60 palestinos morreram em confrontos com o Exército israelense durante manifestações perto da fronteira entre o enclave e o Estado hebraico.

“Os Estados Unidos não são mais mediadores no Oriente Médio”, declarou o presidente palestino, Mahmud Abbas.

– Suspensão dos financiamentos –

Em 31 de agosto de 2018, Washington anuncia que não irá mais financiar a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos, uma semana depois de ter suprimido mais de 200 milhões de dólares em ajuda aos palestinos.

No dia 10 de setembro, EUA anuncia o fechamento do escritório de representação palestina em Washington, o qual atuava como embaixada da Autoridade Palestina.

Em 4 de março de 2019, o consulado geral dos EUA em Jerusalém, que serviu de embaixada para os palestinos, fechou para ser absorvido pela embaixada dos EUA em Jerusalém.

– Golã –

Em 25 de março de 2019, Trump assina na Casa Branca, na presença de Benjamin Netanyahu, o decreto pelo qual reconhece oficialmente a soberania de Israel sobre a parte do Golã sírio.

Israel conquistou em 1967 uma grande parte do Golã e o anexou em 1981, ms a comunidade internacional nunca reconheceu essa anexação.

A Síria denuncia uma “agressão flagrante” à sua soberania.

– Colônias –

Em 10 de abril de 2019, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, se nega a dizer se Washington se oporia a uma eventual anexação das colônias da Cisjordânia por Israel, promessa de Benjamin Netanyahu em caso de reeleição.

Em 8 de junho, o embaixador dos EUA em Israel afirma que Israel tem o direito de anexar “uma parte” da Cisjordânia ocupada.

“Sob algumas circunstâncias (…), acho que Israel tem o direito de conservar uma parte, mas não toda, da Cisjordânia”, território palestino ocupado por Israel há mais de 50 anos, afirmou David Friedman.

Em 18 de novembro, Washington modifica sua política sobre as colônias israelenses.

“Após examinar cuidadosamente todos os argumentos desse debate jurídico”, a administração Trump conclui que “o estabelecimento de colônias de civis israelenses na Cisjordânia não é em si contrário ao direito internacional”, declara Mike Pompeo.

Mais de 600.000 israelenses estão instalados nas colônias na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, territórios ocupados por Israel desde 1967 e onde vivem cerca de três milhões de palestinos. Essas colônias não têm nenhum “fundamento em direito” e constituem uma violação flagrante do direito internacional”, segundo a ONU.

Em 28 de janeiro de 2020, Donald Trump, acompanhado pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, revela na Casa Branca, seu plano de paz para o Oriente Médio, muito favorável a Israel, baseado em uma solução de “dois Estados”, em que outorga ao Estado judeu judeu uma série de concessões como a indivisibilidade de Jerusalém.