Edição nº 1088 21.09 Ver ediçõs anteriores

O alvo agora é o plástico, o próximo pode ser o seu negócio

As imagens chocantes de ilhas de plástico e de animais mortos por ingerirem todo tipo de resíduo são chocantes. Qual será o próximo produto ou impacto insustentável de uma indústria ou serviço que estará na berlinda?

O alvo agora é o plástico, o próximo pode ser o seu negócio

O plástico é o inimigo da vez, quando o assunto é sustentabilidade. E não há qualquer injustiça nisso. É inadmissível a forma como passamos a usar de maneira irresponsável uma matéria-prima que tem muitas qualidades, mas pode gerar imensos danos ambientais e sociais. O problema não é o plástico, mas como o usamos. Por comodidade, adotamos o seu uso em descartáveis e não nos preocupamos com o que acontece com as toneladas que jogamos no lixo após uma simples e fugaz utilização. Talheres, canudinhos, copos, garrafas, saquinhos, todo plástico chamado de “uso único” – ou seja, usou e joga fora – está com os dias contados. E mais: todos e qualquer uso do plástico deve considerar sua reciclagem e volta como matéria-prima à produção.

A pressão contra o plástico começou há alguns anos, quando ONGs e especialistas passaram a chamar a atenção para, sobretudo, a poluição dos oceanos pelo plástico mal descartado no mundo todo. As imagens chocantes de ilhas de plástico e de animais mortos por ingerirem todo tipo de resíduo plástico são chocantes. A ciência foi capaz de reunir dados suficientes para demonstrar como o plástico entrou em nosso estilo de vida e está nos afetando. Há estudos demonstrando que já estamos ingerindo microplásticos sempre que degustamos peixes e frutos do mar.

Nossos hábitos de consumo tão arraigados, que a revista National Geographic, que publicou uma maravilhosa edição em junho com o título Mar de Plástico foi chamada de incoerente por ser distribuída aos assinantes no Brasil envolta em duas proteções de plástico. O lapso do sistema editorial não invalida o conteúdo. A pressão somente aumenta e começamos a ver de todos os lados notícias de proibição do uso de canudos, copos, sacos e garrafas. A regulação sempre responde à pressão da sociedade, cedo ou tarde. Este é o grande ponto que deve ser levado em consideração pelos gestores de todas as empresas.

Hoje é o plástico, e amanhã? Qual será o próximo produto ou impacto insustentável de uma indústria ou serviço que estará na berlinda? A tendência é que novos alvos sejam identificados na medida em que organizações da sociedade civil consigam articular evidências suficientes para demonstrar o efeito danoso ao equilíbrio da vida. Mudanças serão exigidas e os ajustes terão o seu custo. Minhas apostas estão na indústria da carne, responsável por mais de 40% das emissões causadoras das mudanças climáticas, e no sistema financeiro, diretamente relacionado à desigualdade e à concentração de riqueza, cada vez mais crescentes no planeta. O futuro dirá qual será o novo ponto de pressão da sociedade.


Mais posts

O turbinado poder da colaboração

O que conecta o movimento #MeToo, o Estado Islâmico, a eleição de Trump, o Uber e o Airbnb? Um livro explica essa estranha ligação

Hora de fortalecer o capital social a partir do propósito e da adesão aos ODS

Como as empresas podem atuar e gerar valor em um mundo polarizado? Por meio do fortalecimento de seu capital social. Isto é possível a [...]

O mau negócio da polarização social

Condenação ou perseguição do Lula, Estado máximo ou Estado mínimo, liberação do consumo de drogas ou repressão ao crime organizado, [...]

Por que empresas silenciaram diante da morte de Marielle?

Empresas são instituições centrais na sociedade moderna, com recursos e influência, em muitos casos, superiores aos do poder público e [...]

Evoluir ou game over

No jogo dos negócios sustentáveis, empresas estão sem crédito com a sociedade para avançar de fase
Ver mais
X

Copyright © 2018 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.