Ciência

Novos robôs ‘emocionais’ buscam ler sentimentos humanos

O robô Forpheus faz mais do que jogar uma partida de tênis de mesa: ele pode ler a linguagem corporal do seu oponente para avaliar sua capacidade, oferecer conselhos e encorajá-lo.

“Ele tentará entender o seu humor e sua habilidade de jogar e prever um pouco sua próxima jogada”, disse Keith Kersten, da Omron Automation, com sede no Japão, que desenvolveu o Forpheus para mostrar sua tecnologia.

“Nós não vendemos robôs de pingue-pongue, mas estamos usando o Forpheus para mostrar como a tecnologia funciona com as pessoas”, disse Kersten.

O Forpheus é um dos vários dispositivos apresentados nesta semana na Consumer Electronics Show (CES), a maior feira sobre eletrônica do mundo, que destacam como os robôs podem se tornar mais parecidos com os humanos ao adquirir “inteligência emocional” e empatia.

Embora esta especialização ainda esteja emergindo, a noção de empatia robótica parece ser um tema forte no grande encontro de profissionais de tecnologia em Las Vegas.

Honda, a gigante japonesa dos automóveis, lançou um novo programa de robótica intitulado Empower, Experience, Empathy, incluindo o seu novo robô 3E-A18, que “mostra compaixão com os humanos com uma variedade de expressões faciais”, de acordo com uma declaração.

Embora a empatia e a inteligência emocional não necessitem necessariamente de uma forma humanoide, alguns criadores de robôs têm trabalhado tanto na forma como na função.

“Estamos trabalhando muito para ter um robô emocional”, disse Jean-Michel Mourier, da francesa Blue Frog Robotics, que faz o robô social e de companhia chamado Buddy, que será lançado neste ano.

“Ele tem um cérebro complexo”, disse Mourier em um evento da CES. “Ele pedirá uma carícia ou ficará louco se você colocar o dedo nos olhos dele”.

Outros robôs, como o Sanbot da Qihan Technology e o Pepper da SoftBank Robotics, estão sendo “humanizados”, ao serem ensinados a ler e reagir aos estados emocionais das pessoas.

Pepper é “capaz de interpretar um sorriso, uma cara feia, seu tom de voz, bem como o campo lexical que você usa e a linguagem não verbal, como o ângulo de sua cabeça”, de acordo com a SoftBank.

– Sintetizando emoções –

Desenvolver a inteligência emocional nos robôs é uma tarefa difícil, combinando o uso da “visão” de computador para interpretar objetos e pessoas e criando softwares que podem responder de acordo.

“A empatia é o objetivo: o robô está se colocando no lugar do humano, e isso é o mais difícil que se pode fazer”, disse Patrick Moorhead, analista de tecnologia da Moor Insights & Strategy.

“Não se trata apenas de tecnologia, mas também de psicologia e de confiança”.

Moorhead disse que esta tecnologia ainda está em estágios iniciais, mas é promissora em algumas áreas, observando que existe um forte interesse no Japão devido à falta de cuidadores para a população idosa.

“De certa forma, pode ser um pouco bizarro se você está chorando e o robô está tentando te consolar”, disse. “Se você não tem amigos, a segunda melhor opção é um amigo robô, e os introvertidos podem se sentir mais à vontade conversando com um robô”.

Um expositor da CES promete ir além dos dispositivos atuais, com o desenvolvimento de um “chip de emoção” que pode permitir que os robôs processem as emoções de maneira semelhante aos humanos.

“Houve muita pesquisa sobre a detecção de emoções humanas. Fazemos o contrário. Sintetizamos emoções para a máquina”, disse Patrick Levy-Rosenthal, fundador da Emoshape, com sede em Nova York, que está produzindo seu chip para parceiros em jogos, realidade virtual e aumentada e outros setores.

Este chip poderia ser usado para alimentar um robô humanoide ou outros dispositivos – por exemplo, um leitor de livros digitais (e-reader) poderia entender melhor um texto para infundir mais emoção na narração da história.

Quanto ao Forpheus, Kersten disse que a capacidade do robô de ajudar as pessoas a melhorarem suas habilidades no tênis de mesa poderia ter um grande número de aplicações nos esportes, negócios e outras áreas.

“Você poderia sentir como as pessoas estão se sentindo, se elas estão atentas ou em bom estado para dirigir”, disse.

Outra aplicação poderia ser no sistema de saúde: “Em uma instalação de pacientes idosos, você pode determinar se alguém está em perigo e precisa de ajuda”, acrescentou.