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Novos protestos em Mianmar, enquanto ONU segue dividida

Manifestantes pró-democracia voltaram às ruas em Mianmar neste sábado (6), um dia após uma nova reunião do Conselho de Segurança da ONU, dividido sobre a resposta à repressão militar que já causou dezenas de mortes.

Pelo menos 55 pessoas foram mortas pelas forças de segurança desde o início da insurreição pacífica contra o golpe de Estado de 1º de fevereiro que depôs o governo civil de Aung San Suu Kyi.

Apesar da repressão, os protestos continuam. Em Loikaw (centro), centenas de pessoas, incluindo professores, marcharam agitando faixas pedindo desobediência civil.

“Se forem ao trabalho, ajudarão a ditadura”, “Nossa revolução deve vencer”, gritava a multidão. Uma infinidade de mensagens de apoio também foi postada nas redes sociais: “Vamos vencer, mas tenham cuidado”.

Os apelos à greve têm um grande impacto em alguns setores econômicos, com bancos incapazes de funcionar, hospitais fechados e gabinetes ministeriais vazios.

A mídia estatal pediu aos funcionários que retomem o trabalho, sob pena de “serem demitidos a partir do dia 8 de março”.

No bairro de San Chaug, em Yangon, a capital econômica, onde barricadas foram erguidas, pequenos grupos de manifestantes se reuniram. Os comerciantes, que abriram nas primeiras horas do dia, fecharam antes da chegada da polícia e do exército.

– Bombardeios –

Na sexta-feira, um jovem de 26 anos morreu ao ser baleado no pescoço durante um protesto em Mandalay (centro), e uma ONG relatou bombardeios contra prédios residenciais e um hospital na fronteira com a Tailândia.

O dia mais sangrento foi quarta-feira, com 38 mortos por tiros disparados pelas forças de segurança.

Duas vítimas de 18 anos foram enterradas neste sábado. “Não haverá perdão para vocês até o fim do mundo”, gritou a multidão.

Cortes de energia foram relatados em várias regiões do país na sexta, sem informações se foram deliberados ou por causa de falhas na infraestrutura.

Os generais golpistas estão mais determinados do que nunca a sufocar a contestação e, para isso, aproveitam as divisões da comunidade internacional.

O Conselho de Segurança da ONU, reunido na sexta-feira, não conseguiu chegar a um acordo sobre uma declaração conjunta. As negociações continuarão na próxima semana, segundo fontes diplomáticas.

“Estamos prontos a contemplar sanções internacionais de acordo com a Carta das Nações Unidas se a situação continuar se deteriorando”, disse a embaixadora britânica Barbara Woodward após o encontro, organizado por iniciativa do Reino Unido.

Estados Unidos e União Europeia (UE) anunciaram medidas coercitivas, mas os observadores pedem um embargo internacional ao fornecimento de armas, uma decisão que necessita da concordância de todos os membros do Conselho.

– “Vizinho amistoso” –

Pequim e Moscou, aliados tradicionais do exército birmanês e grandes exportadores de armas para o país, se recusam a falar em “golpe”.

A agência de notícias oficial chinesa chamou de “remodelação ministerial” em fevereiro.

Nosso vizinho quer um “vizinho amistoso”, declarou na sexta o embaixador chinês Zhang Jun, alertando que as sanções apenas “agravariam as tensões e complicariam ainda mais a situação”.

Os demais vizinhos regionais mal se faziam ouvir.

Singapura, o primeiro investidor do país, foi o único a se manifestar ao qualificar o golpe de “vergonha nacional”, embora o chefe da diplomacia acredite que a pressão estrangeira terá pouco impacto sobre os generais.

Neste contexto, o apelo à “unidade” lançado pela emissária da ONU para Mianmar, Christine Schraner Burgener, parece improvável de ser ouvido.

“A esperança que [os birmaneses] depositaram nas Nações Unidas e nos seus membros diminui”, lamentou, antes de relembrar que recebe todos os dias centenas de telefonemas desesperados de mães, estudantes e idosos.

De acordo com a ONU, mais de 1.700 pessoas foram presas desde o golpe, incluindo cerca de trinta jornalistas.

Diante do agravamento da situação, muitos birmaneses começaram a fugir do país e se refugiaram na vizinha Índia, incluindo três policiais que se recusaram a participar da repressão, segundo a polícia indiana.

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