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Novo sistema britânico de imigração pós-Brexit por pontos semeia preocupação

Novo sistema britânico de imigração pós-Brexit por pontos semeia preocupação

(Arquivo) A ministra do Interior britânica, Priti Patel, chega ao número 10 de Downing Street, a residência oficial do primeiro-ministro, em Londres - AFP/Arquivos


O governo conservador britânico revelou nesta quarta-feira (19) seu novo sistema de imigração por pontos, que foi imediatamente criticado pela oposição e por alguns profissionais, que o veem como um perigo para setores como a saúde, ou a indústria de alimentos.

Para obter um visto de trabalho a partir do próximo ano, após o término do período de transição do Brexit, será necessário demonstrar habilidades específicas, falar inglês e ter uma oferta de emprego com um salário mínimo anual de 20.480 libras (cerca de 24.600 euros), excluindo assim os trabalhadores pouco qualificados, ou mal remunerados.

A ministra do Interior do governo Boris Johnson, Priti Patel, descreveu essas reformas como “firmes e justas” e declarou que esse sistema facilitará a obtenção de vistos para trabalhadores altamente qualificados.

“Nossa economia não dependerá mais de mão de obra barata da Europa, mas se concentrará mais no investimento em tecnologia e automação”, afirmou no documento que detalha as medidas e pede aos empregadores que “se adaptem” a elas.

Esse plano exige que cada trabalhador estrangeiro acumule um mínimo de 70 pontos para obter uma permissão de trabalho, à medida que cumpre determinados requisitos. A proposta gerou sérias preocupações nos setores profissionais que dependem de trabalhadores pouco qualificados, ou de remuneração mais baixa.

Uma integrante do principal sindicato do setor público, Christina McAnea, afirmou que essas medidas “causarão um desastre total no setor da saúde”, uma vez que não haverá pessoal suficiente disponível no Reino Unido.

Com relação ao setor agroalimentar, a presidente do Sindicato Nacional dos Agricultores, Minette Batters, disse que “a automação ainda não é uma opção viável (…) pois vai gerar graves consequências para o setor”.