Por William James e Elizabeth Piper

LONDRES (Reuters) – Rishi Sunak se tornou o terceiro primeiro-ministro diferente do Reino Unido em apenas dois meses, nesta terça-feira, e prometeu tirar o país de uma profunda crise econômica e reconstruir a confiança na política.

Sunak rapidamente reconduziu Jeremy Hunt ao cargo de ministro das Finanças, em uma medida destinada a acalmar os mercados, que se opuseram aos planos econômicos de sua antecessora, Liz Truss.

O ex-executivo de hedge fund disse que vai unir o país e deve nomear um gabinete formado por todas as alas do seu Partido Conservador para acabar com as brigas internas e mudanças políticas abruptas que assustaram investidores e alarmaram aliados internacionais do Reino Unido.

Discursando do lado de fora de sua residência oficial em Downing Street, Sunak elogiou a ambição de sua antecessora de reacender o crescimento econômico, mas afirmou que erros foram cometidos.

“Fui eleito líder do meu partido e seu primeiro-ministro, em parte para consertá-los”, disse Sunak, que rompeu com a tradição de ficar ao lado de sua família e de apoiadores políticos.

“Entendo também que tenho trabalho a fazer para restaurar a confiança, depois de tudo o que aconteceu. Tudo o que posso dizer é que não estou intimidado. Conheço o alto cargo que aceitei e espero cumprir suas exigências.”

Sunak disse que decisões difíceis estão por vir enquanto ele tenta cortar gastos públicos. Hunt, que Truss nomeou para acalmar o mercado agitado por sua busca por crescimento, está preparando um novo Orçamento junto com as previsões de empréstimos e crescimento que serão divulgadas na segunda-feira, e repetiu seu aviso nesta terça-feira de que “será difícil”.

O novo primeiro-ministro também restaurou Dominic Raab como vice-primeiro-ministro, papel que ele perdera nos 44 dias de Truss no cargo, mas reconduziu James Cleverly como ministro das Relações Exteriores e Ben Wallace como ministro da Defesa.

Penny Mordaunt, que desistiu de sua tentativa de vencer a disputa da liderança contra Sunak na segunda-feira, também manteve sua posição como líder da Câmara dos Comuns, uma posição que organiza os negócios do governo na câmara baixa do Parlamento.

Fontes disseram que ela queria se tornar ministra das Relações Exteriores.

Sunak, um dos homens mais ricos do Parlamento, deve cortar gastos do governo para tapar um buraco estimado de 40 bilhões de libras (45 bilhões de dólares) nas finanças públicas criado por uma desaceleração econômica, custos de empréstimos mais altos e um programa de apoio à energia.

Ele agora precisará revisar todos os gastos, inclusive em áreas politicamente sensíveis, como saúde, educação, defesa, bem-estar e pensões. Mas, com a popularidade de seu partido em queda livre, ele enfrentará crescentes pedidos de eleições se abandonar muitas das promessas que fizeram os conservadores vencer as eleições em 2019.

(Reportagem de William James e Elizabeth Piper)

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