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Samarco começa a sair da lama

A mineradora responsável pela maior tragédia ambiental do País está pronta para operar. O reinício só depende da aprovação de seu novo sistema

Samarco começa a sair da lama

Cenário do apocalipse: o rompimento da barragem de Fundão, em 2015,  matou 19 pessoas e contaminou o Rio Doce (foto: AFP PHOTO/CHRISTOPHE SIMON)

Protagonista da maior tragédia ambiental do País, a mineradora Samarco está pronta para voltar a operar. Desde o rompimento da barragem de Fundão em novembro de 2015, na cidade mineira de Mariana, que causou a morte de 19 pessoas e despejou 62 milhões de metros cúbicos de lama no Rio Doce, a empresa está com suas operações paralisadas. A previsão de retomada dos negócios, prevista para o segundo semestre, poderá ser antecipada, mas não apagará um dos mais dramáticos capítulos da história da mineração no País.

Na quarta-feira 18, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, afirmou que a Samarco “provavelmente” estará produzindo dentro dos próximos dois meses. “A Samarco voltará aos negócios tendo abordado todos os problemas ambientais e legais”, garantiu. A retomada das operações da Samarco depende do sinal verde da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad). O órgão analisa a viabilidade e segurança do novo sistema de eliminação dos rejeitos proposto pela mineradora. A ideia é utilizar um método de compactação dos resíduos em uma espécie de aterro, chamado de cava de Alegria do Sul, no município de Ouro Preto.

O sistema permite o confinamento de 17 milhões de metros cúbicos de lama, um volume equivalente a dois anos de atividade da Samarco. “Durante esse período, a empresa intensificará os estudos em busca de alternativas para médio e longo prazos”, informou a Samarco, em nota, sem detalhar se os funcionários demitidos serão recontratados ou em que condições as operações serão retomadas. Enquanto ensaia a volta aos negócios, a Samarco e suas controladoras, a brasileira Vale e australiana BHP Billiton, articulam acordo com o Ministério Público Federal o pagamento de multas e indenizações causadas pela tragédia.

Na quarta- feira 18, as três se comprometeram em quitar até o dia  30 de junho o valor de R$ 2,2 bilhões em indenizações. O montante é uma garantia, que vai vigorar até que sejam concluídas as negociações e assinado o termo final do acordo. Uma multa de R$ 1,2 bilhão, que deveria ter sido depositada até a quinta-feira 19, não precisou ser paga devido ao acordo. “O caso Samarco deixa a lição de que o sistema e barragens é bastante inseguro e deverá ser suprimido”, disse o engenheiro Roberto Kochen, diretor do Instituto de Engenharia, especialista no assunto. “Embora seja mais barato para a empresa, é um método menos seguro.”