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Rodrigo Galindo é o Empreendedor do Ano na educação em 2016

O CEO da Kroton venceu uma disputa acirrada e comprou o controle da Estácio Participações. O negócio de R$ 5,5 bilhões, o mais vultoso no setor, criou a maior empresa de ensino superior do Brasil

Rodrigo Galindo é o Empreendedor do Ano na educação em 2016

23%: É a fatia da Kroton no mercado de ensino superior após a união com a Estácio, segundo os analistas - “Comprar marcas consolidadas,  como a Estácio e a Anhanguera, é excelente para a expansão da Kroton” (foto: Andre Lessa / ISTOE.)

Na noite da quarta-feira 1º de junho, Rodrigo Galindo, 40 anos, se preparava para deixar os escritórios da Kroton Educacional, na Avenida Paulista. Porém, a jornada teve de ser estendida. Galindo foi alertado pela área de Relações com Investidores que seu nome estava nas manchetes. Vazara a notícia de que a Kroton, já a líder no ensino superior do Brasil, estava negociando a compra da Estácio, a segunda colocada. Era preciso divulgar um fato relevante, o que foi feito na manhã seguinte. No início de julho, após uma disputa acirrada com a concorrente Ser Educacional, Galindo havia costurado o maior acordo do setor educacional do Brasil.

O negócio, estimado em R$ 5,5 bilhões, criou uma empresa que, no fim de novembro, valia R$ 23,4 bilhões em bolsa. Não há números consolidados, pois negócio ainda não foi aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No entanto, se aprovada sem ressalvas, a transação vai criar uma gigante com 1,6 milhão de alunos, 210 campi e 1.115 polos de Ensino à Distância (EAD) espalhados por todos os Estados do Brasil. Somado, o faturamento pode superar R$ 8 bilhões. Por ter triunfado nessa negociação, Galindo foi escolhido EMPREENDEDOR DO ANO NA EDUCAÇÃO pela DINHEIRO.

Quem acompanha a trajetória do executivo, formado em Direito e com mestrado em Educação, não ficou surpreso. Sua família sempre esteve ligada ao ensino. Seu pai era proprietário da Universidade de Cuiabá, onde Galindo começou a trabalhar aos 13 anos, operando as máquinas copiadoras para reduzir gastos. Essa lição foi bem aprendida pela Kroton, elogiada pelos analistas por seu controle de custos. Galindo combina a gestão espartana com uma forte vocação empreendedora. Aos 23 anos ele abriu sua primeira faculdade, no Amapá, sem deixar de dar expediente na Iuni, a universidade da família, cuja presidência assumiu em 2006 e de onde realizou oito aquisições nos três anos seguintes.

Porém, percebendo que o mercado se concentrava, ele começou a procurar um comprador. Listou 15 interessados. A vencedora da disputa foi a Kroton, que pagou R$ 200 milhões. Galindo se tornou CEO da empresa compradora oito meses depois e, em 2011, já havia feito os números retornarem ao azul. Em 2014, Galindo fez um movimento agressivo e comprou a Anhanguera Educacional. Isso ensinou mais uma lição. “Percebemos que comprar marcas consolidadas, como a Estácio e a Anhanguera, é excelente para a expansão da Kroton”, diz ele. Na Estácio, Galindo também pretende aproveitar a popularidade da marca.

A meta para os próximos anos é elevar a participação dos alunos em EAD dos atuais 30% para cerca de 50%. Para driblar a retração dos recursos disponíveis do Fies, que recuaram de R$ 13 bilhões, em 2014, para estimados R$ 2 bilhões, em 2017, a Kroton pretende avançar na concessão de financiamentos. “Já operamos um financiamento concedido com recursos próprios, e devemos anunciar, no início de 2017, uma parceria com um banco para conceder crédito estudantil a nossos alunos”, diz Galindo. Mesmo sem contar a Estácio, a Kroton é uma potência.

Nos 12 meses até 30 de setembro, ela faturou R$ 4,7 bilhões e lucrou R$ 1,29 bilhão. O mercado gosta. No ano, até o fim de novembro, as ações da Kroton subiram 55,7%, ante uma alta de 42,8% do Índice Bovespa. “A Kroton é nossa preferida do setor, não só por ser a maior, mas também por apresentar resultados consistentes apesar da retração econômica e das incertezas com relação ao Fies”, diz Lenon Borges, analista da Ativa Corretora. Segundo ele, a fusão com a Estácio “traz boas perspectivas de resultado para a empresa e seus acionistas”.

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