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Flávio Rocha é o Empreendedor do Ano no Varejo em 2016

O comandante da Riachuelo assumiu abertamente a sua posição política contra o governo de Dilma Rousseff e ainda precisou enfrentar um período difícil do mercado de moda para manter a sua empresa avançando

Flávio Rocha é o Empreendedor do Ano no Varejo em 2016

“A mínima obrigação do  empresário é defender o ideário de prosperidade e democracia” (foto: Kandrade)

Por mais que seja um grande empresário, Flávio Rocha chamou a atenção em 2016 principalmente por sua postura política. Ele se assumiu como um porta-voz dos anseios dos empreendedores brasileiros por mudanças nos rumos da política, expandindo seu campo de atuação para além das fronteiras de sua empresa e do seu setor. Filho de Nevaldo Rocha, fundador do grupo Guararapes, que é dono da rede de vestuário Riachuelo, o empresário recifense de 58 anos participa do dia a dia da empresa há quatro décadas e é um dos líderes do segmento de vestuário no Brasil.

Ele foi fundador e presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). Mas os desafios deste ano o levaram ao campo da política. Ele foi um dos primeiros empresários a pedirem abertamente o fim do ciclo do PT no comando do Brasil. Em entrevistas para a DINHEIRO, expôs com coragem a sua posição de que a presidente Dilma Rousseff não tinha mais condições de presidir o País. “A mínima obrigação do empresário é defender o ideário de prosperidade e democracia”, diz. “Existem empresários de mercado e os de conchavo, que infelizmente floresceram no Brasil por causa do inchaço do Estado.”

Para ele, a corrupção dos governos foi incentivada por uma visão ideológica que não deixava o mercado se autorregular. “A corrupção é fator de custo. Ela encarece o produto e o deixa com pior qualidade”, afirma. “Além das 10 leis anticorrupção, deveria haver uma 11ª, que são as leis de mercado.” A sua postura em defesa do varejo e do setor empresarial é reconhecida por seus pares. “Flávio Rocha é um defensor incansável e apaixonado pelo varejo”, diz Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, e atual presidente do IDV. “É um grande amigo, uma pessoa iluminada, que dedica seu trabalho para o bem do Brasil.”

Por suas ações firmes, ele foi escolhido o EMPRESARIO DO ANO NO VAREJO. Ao mesmo tempo que assumiu uma bandeira política, Rocha liderou importantes esforços para manter o grupo Guararapes rentável, num período de dificuldades. Em um cenário de terra arrasada, registrou lucro, entre janeiro e setembro, de R$ 65 milhões, e abriu oito lojas. Enquanto via o varejo sofrer com a crise econômica e com a falta de crédito, investiu R$ 300 milhões no ano na melhoria de lojas Riachuelo e na abertura de um centro de distribuição em Guarulhos, nos arredores de São Paulo, para atender as unidades do Sul e do Sudeste.

Afinal, uma logística azeitada permite dar velocidade de entrega aos produtos, o que é um dos pontos centrais da estratégia da empresa de fast fashion. Na Riachuelo, o tempo de um produto entre a sua criação e chegada às suas 291 lojas pode levar o curto período entre três e dez dias. E tudo isso feito com altos volumes. São desenvolvidos 200 modelos por dia útil, totalizando 48 mil ao ano, de 800 grupos de mercadoria. E esse último número está crescendo. Em 2015, a Riachuelo, tradicionalmente voltada apenas a vestuário, passou a ter uma área destinada a vender telefonia celular, estratégia já presente em 200 unidades.

Neste ano, há ainda um teste-piloto em cinco lojas com a venda de artigos de perfumaria e cosméticos. “Dessa forma, o mix fica completo”, afirma Rocha. “Esse produtos trazem margens até um pouco maiores do que as de vestuário.” A eficiência é um tema essencial na filosofia de negócios de Rocha. Ajuda o fato de o grupo Guararapes deter toda a cadeia de produção e negociação de vestuário, desde a tecelagem ao financiamento. O cuidado com a qualidade da operação se dá pela proximidade dos controladores com o dia a dia. Enquanto o seu pai continua próximo da produção, visitando constantemente as oito fábricas localizadas no Rio Grande do Norte e no Ceará, o filho costuma reservar as quintas-feiras e os sábados para visitar as lojas.

O resultado, mesmo num ano difícil, foi um crescimento de 8,7% da receita líquida consolidada até setembro, em comparação com o mesmo período de 2015, para R$ 4,1 bilhões. “No varejo, a área que está sofrendo mais é a moda, porque depende do otimismo dos consumidores”, diz Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail. “Mas a Riachuelo vem sofrendo menos, mostrando certa resiliência, com solidez e equilíbrio financeiro.” O próximo desafio é encarar a revolução da internet. Rocha vai lançar, em janeiro de 2017, o e-commerce da Riachuelo, de onde espera faturar 20% das vendas. Sua nova bandeira, digital, está no ar.

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