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Expansão exige cuidado, pois sucesso não é garantido

Quem passar pela rodovia Régis Bittencourt, na altura de Taboão da Serra, vai se deparar com um “novo” outlet a partir desta quinta-feira. O Taboão Plaza Outlet, no entanto, nada tem de novidade. Na verdade, o que ocorreu foi uma adaptação do centro de compras, antes utilizado pelo Outlet Casa, que tinha a proposta de vender móveis e objetos de decoração com descontos. Lançado há cerca de dois anos, o empreendimento jamais decolou. Por isso, os empreendedores – que dizem ter investido R$ 100 milhões no negócio – decidiram testar uma nova proposta.

Capitaneado pela empresa Gold Sea, de Alexandre Caiado, o Taboão Plaza Outlet foi construído a partir da captação de um fundo imobiliário. Nessa nova encarnação do negócio, disse Caiado ao Estado, a meta é atrair marcas nacionais e estrangeiras com uma proposta de aluguel calculado com base na receita do varejista. Ou seja: o outlet vai dividir o risco com o varejista. Apesar de a inauguração ser em três dias, parte dos espaços do Taboão Plaza ainda está disponível.

Segundo André Costa, sócio-fundador da Agência Brasileira de Outlets (About), esse não é o único exemplo de empreendimento que, depois de algum tempo, precisa se reinventar por não conseguir atrair interesse de lojistas e de consumidores. A About, além de reunir números do setor, também é responsável pela formatação de projetos de centros comerciais – foi ela a responsável pela concepção do primeiro Outlet Premium, posteriormente repassado à General Shopping.

Costa diz que, nos últimos tempos, a empresa tem sido procurada por shopping centers em dificuldades, que têm a intenção de transformar seus negócios em outlets. O “retrofit”, no entanto, raramente costuma dar certo. Um desses raros exemplos é um projeto de Lorena (SP), o Eco Vale, que foi transformado de shopping em outlet. “Mas se tratava de uma oportunidade rara. Era uma construção térrea, de baixo custo, na beira de uma rodovia importante, que tinha aderência com o conceito de outlet.”

Cuidados.

Entre as empresas de shopping center, há quem recomende cuidado com a expansão muito acelerada dos outlets. Isso porque, ao contrário do que ocorre com as grandes marcas estrangeiras, as varejistas brasileiras não têm produção própria para a venda em lojas de desconto, como é comum nos Estados Unidos. De acordo com fontes do setor, isso pode até não ser problema agora, em um momento em que a crise obriga que boa parte da produção das lojas seja vendida com desconto, mas pode afetar a qualidade dos empreendimentos no futuro.

A JHSF, especializada em empreendimentos comerciais voltados às classes A e B, abriu na rodovia Castello Branco, a cerca de 40 km da capital paulista, o Catarina Fashion Outlet, que concentra marcas de luxo como Rimowa, Ermenegildo Zegna, Burberry e Hugo Boss, diz que não pretende abrir novos empreendimentos do gênero no curto prazo, por temer que as grifes não tenham como atender a vários outlets.

“Entendemos que é possível (expandir o conceito do Catarina para outras regiões), mas não podemos ignorar que o lojista ainda não tem a flexibilidade e o volume de mercadoria necessários para acompanhar uma expansão desse mercado no curto prazo”, disse Ana Auriemo, diretora de Planejamento da JHSF, por e-mail. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.