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GSK prefere o aperto

Na contramão dos concorrentes, o laboratório britânico GSK aposta em segmentos com margens de lucro menores. Vai dar certo?

GSK prefere o aperto

Singh, CEO: o setor de bens de consumo é prioridade (foto: Stefano Martini)

Nos últimos anos, diversas empresas dos setores farmacêutico passaram a focar em produtos de maior valor agregado, ou seja, com margens de lucro maiores. O laboratório americano Bristol-Myers Squibb, por exemplo, vendeu marcas consagradas de remédios sem prescrição médica, como Naldecon e Luftal. Com isso, diminuiu de tamanho e se concentrou em medicamentos para doenças graves. No Brasil, a Hypermarcas também vem se desfazendo do seu portfólio em bens de consumo para buscar lucros maiores em remédios com receita. O laboratório britânico GSK, por sua vez, continua firme no segmento.

A empresa não só vem fazendo o movimento contrário da concorrência, como está se lançando com ênfase em segmentos com margens apertadas, como pastas de dente e antiácidos – como comparação a área de medicamentos possui margem de 35%, enquanto consumo apenas 14%. “Nós temos esse mercado como prioridade”, diz o indiano Jayant Singh, presidente da GSK Consumer & Healthcare, divisão de consumo do laboratório. A companhia é dona de marcas como Sensodyne, de pasta de dentes e do antiácido Eno.

Em 2014, a companhia celebrou uma troca de ativos com a Novartis. Os suíços ficaram com a parte de oncologia da GSK, cedendo aos britânicos suas áreas de consumo e vacinas. Desde então, o segmento de consumo é responsável por cerca de um quarto do faturamento da empresa globalmente, proporção que se repete no País, garantindo um faturamento estimado de R$ 700 milhões. O bom desempenho incentiva a GSK a investir no Brasil. Está sendo feito um aporte de R$ 400 milhões na construção de um centro de distribuição e na melhoria de processos fabris.

A meta é aumentar a fatia do mercado dos principais produtos da empresa.Segundo Singh, a participação de 2% da Sensondyne é pequena em comparação ao número de pessoas que possuem dentes sensíveis. No caso do Eno, que representa 25% do faturamento no setor de consumo, apenas uma em cada três pessoas com problemas de azia utiliza o produto. “Apesar de margens mais baixas, alguns produtos possuem um enorme potencial de crescimento e é disso que vamos atrás”, afirma o presidente. Para Rogério Lima, professor do núcleo de estudos do varejo da ESPM, a diversificação nesse setor é fundamental para diluir os riscos da empresa. “Existe espaço para crescer na área, o que faz a GSK não ficar refém de inovações”, diz Lima.