Negócios

A vida depois da derrota

A Ser Educacional, que perdeu para a rival Kroton a disputa pela Estácio, tenta reagir buscando novas oportunidades de compra

A vida depois da derrota

Caçador de oportunidades: a empresa fundada por Janguiê Diniz vai focar na expansão dos negócios nas regiões Norte e Nordeste (foto: Leo Caldas (estado de s.Paulo)

A compra da carioca Estácio pela paulista Kroton, que aumentou ainda mais o poder de fogo da maior empresa de educação privada do mundo em valor de mercado, foi anunciada no primeiro dia de julho. Naquele momento, os fundadores da Ser Educacional, os irmãos Janguiê e Jânyo Diniz, pareciam estar conformados com a derrota. “Sabíamos que a empresa maior levaria vantagem na negociação”, disse Jânyo, também CEO da Ser. Mais de um mês depois, porém, ele começa a substituir o conformismo por um plano de reação. “Como a Kroton será impedida de comprar ativos por certo tempo, vamos intensificar nossa busca por aquisições.”

Essa caça às oportunidades já está em curso. Embora não revele, por razões óbvias, quais são os grupos de educação que estão na mira, sabe-se que o segmento de ensino à distância (EAD) será a prioridade dos investimentos. Não é para menos. A instituição possui apenas cinco mil alunos nessa modalidade em 15 polos de ensino. Combinadas, Kroton e Estácio chegam a quase 1,1 mil centros de EAD. Com a fusão, a nova empresa deve ser obrigada a vender ativos pelos próximos dois anos, como a instituição paulista UniSEB. Ela, aliás, se encaixa no perfil de empresas buscadas pela Ser.

Em curtíssimo prazo, contudo, a expansão orgânica será responsável por melhorar os números da companhia. A Ser entrou com pedido de abertura de mais 400 polos de EAD no Ministério da Educação e duas marcas, principalmente, serão contempladas com essa expansão. No Nordeste, a Uninassau será a principal marca da companhia. No Sudeste, a Universidade de Guarulhos (UnG), pela qual a Ser pagou R$ 199 milhões no fim de 2014, terá a missão de ser a porta de entrada dos universitários da região no EAD. Para completar, Jânyo anunciou a abertura de mais 20 campi até 2020, o que resultaria em 45 espaços inaugurados em sete anos. A ideia é instalar uma universidade em cada cidade com grande densidade populacional nas regiões Norte e Nordeste: este ano, os municípios pernambucanos de Olinda, Jabotoão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho receberam unidades da Ser. Os próximos serão Petrolina e Juazeiro, também no Pernambuco, além da capital paraibana João Pessoa e Feira de Santana, na Bahia.

Chegar próxima aos números da rival é, aparentemente, uma missão impossível no curto prazo. Os faturamentos da Kroton e da Estácio somados ultrapassaram R$ 8 bilhões no ano passado. Já o número de alunos chegou a 1,6 milhão. Como comparação, a Ser obteve receita de R$ 1 bilhão no mesmo período e atualmente conta com 140 mil alunos, entre ensino presencial e à distância. “A nova Kroton se tornou uma empresa inalcançável”, afirma Alexandre Montes, analista da consultoria carioca Lopes Filho. Jânyo Diniz sabe disso. Não por acaso, a liderança do setor, mesmo que em um futuro distante, está descartada pela Ser. A meta é que as suas universidades continuem sendo protagonistas dentro do ensino superior privado no Norte e no Nordeste – onde a Kroton tem participação incipiente – enquanto a expansão nacional caminha a passos mais lentos. “A meta é ser dominante no Nordeste e relevante no resto do País”, diz o presidente.

De acordo com analistas ouvidos pela DINHEIRO, a empresa está em condições privilegiadas em almejar novas compras. “A Ser está bem financeiramente e pode se alavancar sem comprometer o balanço”, diz Bruno Giardino, analista do Santander. Para o otimista presidente da Ser, a derrota pode trazer mais oportunidades do que perdas. “Desde o começo sabíamos que ganhar essa briga pela Estácio era difícil”, diz Jânyo. “Mas mesmo sem a fusão, sabemos que temos um plano de crescimento robusto pela frente.”