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O caminho para a diversidade

Estudos comprovam a vantagem econômica da diversidade. No entanto, ações concretas ainda são pouco utilizadas pelas empresas no Brasil. Companhias atentas a este movimento saem na frente das concorrentes

O caminho para a diversidade

A atual e mais grave crise econômica enfrentada pelos brasileiros desde a década de 1980, quando o País conviveu com a hiperinflação, com os altos índices de desemprego e com o desarranjo total da economia, tem feito empresários e executivos quebrarem a cabeça para tentar conter as recorrentes quedas nas vendas. O que muitos executivos não percebem, no entanto, é que uma saída para os problemas poderia ser mais simples do que se pode imaginar. Um estudo da Harvard Business Review, realizado durante a última década com aproximadamente 700 empresas americanas, mostra que políticas de diversidade, seja racial ou de gênero, tornam as companhias mais competitivas, inovadoras e tecnológicas. Segundo a análise, empresas que trabalham com políticas de diversidade têm 45% de chances a mais de aumentar a participação de mercado durante o ano, em comparação com as que não trabalham. 

Os resultados são explicados, sobretudo pelo fato de incentivarem os funcionários a pensar “fora da caixa”, o que gera mais inovação. Além disso, a análise revelou que uma companhia com um corpo de funcionários diverso pode aumentar em até 152% as chances de compreender o cliente, sendo mais bem-sucedida ao fechar um negócio, por exemplo. Embora sua eficácia econômica tenha sido comprovada, com previsões de acréscimo de US$ 12 trilhões no PIB global, até 2025, e cerca de US$ 410 bilhões à economia brasileira, no mesmo período, segundo a consultoria americana McKinsey, ações afirmativas ainda são pouco utilizadas por empresas privadas. Um levantamento feito pelo Instituto Ethos, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com as 500 maiores empresas do Brasil, mostra que a evolução é lenta, principalmente no que diz respeito à ascensão dos negros e de mulheres em cargos de gerência e no corpo diretivo. 

Publicado em maio deste ano, exatos doze anos depois de sua primeira versão, os resultados positivos apareceram apenas com um pequeno aumento da participação de mulheres em níveis gerenciais, assim como uma presença maior dos negros em programas de trainees e de aprendizes, que se equilibrou com o número dos brancos – reflexo, este, das políticas públicas na área de educação, que inseriram mais de 150 mil negros em universidades públicas de 2013 a 2015, segundo dados do ministério da Educação. Atualmente, a composição do quadro executivo das principais empresas no Brasil é de 94,2% de brancos e apenas 4,7% de negros. Já nos conselhos de administração, a diferença é maior: 95,1% contra 4,9%, respectivamente. O estudo ainda revela que 80% das 500 empresas ouvidas não têm ações de incentivo para os negros, que poderiam passar desde programas especiais para a contratação, até projetos de capacitação profissional que visem melhorar a qualificação de profissionais negros que não tiveram muitas oportunidades. 

Para Gabriela Santos, coordenadora de práticas empresariais e políticas públicas do Instituto Ethos, um dos principais motivos para a falta de iniciativas para políticas de ações afirmativas é o desconhecimento por parte do setor privado, seja pela dimensão do problema, ou de como a diversidade pode contribuir não só em termos sociais, mas econômicos e financeiros. “Os negros representam atualmente cerca de 70% da classe C, que movimenta a economia a brasileira”, diz. “Se essa população estiver bem representada pelas empresas, o público será atingido e a empresa conseguirá uma alta captação financeira.”

Já em relação à representatividade feminina nas companhias, uma análise recente elaborada pela americana McKinsey mostra que empresas com ao menos uma mulher na primeira linha de comando (presidência ou vice-presidência) pode aumentar a margem de lucro em até 47% e gerar 44% a mais de dividendos para o acionista. O motivo para a expansão é pelo aumento da produtividade em razão dos diferentes estilos de gestão. Ainda assim, a presença de mulheres em cargos diretivos é extremamente baixa: apenas 2,8% dos cargos de presidência no Brasil são ocupados por mulheres, de acordo com um estudo da Bain&Company feito em março de 2016 a pedido da DINHEIRO. 

A rara participação feminina em cargos de destaque em setores privados e governamentais fez o País perder nove posições no ranking de igualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial, de 2013 a 2016, passando da 62ª posição, para a 71ª. “Uma das grandes conclusões que obtemos é que os indicadores do mercado de trabalho e da sociedade estão muito correlacionados, portanto, devem caminhar juntos”, diz Mariana Donatelli, da McKinsey. “Não conseguiremos evoluir em igualdade de gênero no mercado de trabalho se não houver mudança na sociedade. E, quando citamos o mercado, não falamos apenas de empresas, mas, também, de governo, ONGs e do indivíduo como um todo.”

Confira, os principais projetos de diversidade e inclusão no Brasil

Poder feminino

A ONU mulheres e a Itaipu Binacional promovem o prêmio WEPs Brasil – Empresas Empoderando Mulheres, que reconhece as companhias que mais adotam iniciativas para igualdade. Unilever, Renault e Home Care Cene Hospitallar foram as vencedoras deste ano. Outras 48 organizações foram homenageadas 

Cultura inclusiva

A francesa Sodexo lançou no Brasil o Sodexo Pride Group, iniciativa global cujo objetivo é desenvolver ações de comunicação, geração de talentos e promover uma cultura inclusiva voltada ao público LGBT. A companhia também aderiu ao Fórum de Empresas e Direitos LGBT, que advoga em favor dos direitos dos homossexuais

Mulheres no comando

O Itaú criou o portal Itaú Mulher Empreendedora, que traz diversas ferramentas para desenvolver o empreendedorismo entre o público feminino. O site traz mais de 400 tipos de conteúdo, entre vídeos, textos e apresentações, atualizados semanalmente. A partir deste ano, ele está aberto a quem não é cliente do banco

Use camisinha

A mineradora Anglo American promove uma série de palestras em suas unidades para conscientizar os funcionários sobre a luta contra a Aids, além de tirar o estigma dos soropositivos. A empresa já investiu mais de R$ 2 milhões em projetos voltados para a redução do índice de DSTs e gravidez na adolescência

O banco da diversidade

O banco Santander adotou um novo posicionamento em suas campanhas, voltado para a diversidade. A publicidade da instituição financeira passou a trazer temas como o empoderamento feminino, novas configurações familiares, direitos dos homossexuais e o combate ao preconceito, tanto racial quanto regional

Confira: 

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