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O voo olímpico da Dassault

Como a fabricante francesa de aviões executivos prepara uma operação especial para apoiar os quase 200 empresários donos de jatos de sua marca que chegarão ao Rio de Janeiro para os Jogos

O voo olímpico da Dassault

Pessoa: segundo o diretor para a América Latina, muitos empresários donos de modelos Falcon vêm ao Brasil assistir as competições (foto: João Castellano/ISTOE)

O tráfego aéreo na Baía de Guanabara, em 5 de agosto deste ano, será intenso. Apenas no dia da cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio de Janeiro, estima-se a chegada de até mil jatos particulares na Cidade Maravilhosa. Nos dias anteriores e posteriores ao evento, a movimentação também deve ser fora da usual. A maior parte dos passageiros de voos particulares em visita aos Jogos deve ser composta por empresários e executivos, além de parceiros, amigos e familiares – apesar de que, no primeiro dia de evento, a presença de políticos e chefes de estado deve ser especialmente alta.

Para que nenhum figurão fique impossibilitado de chegar a tempo dos Jogos, os aeroportos e autoridades aeroviárias brasileiras poderão contar com uma ajuda importante da iniciativa privada. A francesa Dassault Aviation, fabricante da linha de jatos executivos de grande porte Falcon, que custam entre US$ 28 milhões e um pouco mais de US$ 50 milhões, terá uma operação especial no Brasil, por conta do maior evento esportivo do planeta. “Muitos empresários donos de nossos jatos virão para a Olimpíada”, afirma Rodrigo Pessoa, que pilota as operações na América Latina.

A empresa possui em Sorocaba, no interior paulista, um centro de serviços. Montado em 2009, foi o primeiro da empresa fora de seus países-sede, a França, casa do grupo controlador Dassault, e os EUA, do grupo Airbus, que detém 24% das ações. Nas instalações brasileiras, os donos de aeronaves da Dassault – que, no ano passado, faturou globalmente € 3,7 bilhões – podem fazer manutenções periódicas e os consertos necessários. Para a Olimpíada, o centro receberá um reforço de técnicos estrangeiros e de equipamentos, para dar conta da demanda extraordinária.

A estimativa é que entre 150 e 200 jatos da marca cheguem para a Olimpíada. Além deles, há 50 Falcons que costumam voar em território nacional, por terem donos brasileiros. A companhia estima deter 60% do mercado local de aeronaves executivas de grande porte. “Acredito que os estrangeiros utilizarão o centro nacional apenas para reparos e para consertar falhas, já que fazem a manutenção programada em outros países”, diz Pessoa. O esforço especial para a Olimpíada já exigiu mudanças na forma dos aeroportos operarem.

A Secretaria de Aviação Civil definiu que o Aeroporto Santos Dumont, no centro da cidade, vai operar 24 horas por dia, entre os dia 3 e 23 de agosto. Os voos comerciais terão horário estendido, entre às 6h e 23h59. Atualmente, as decolagens e chegadas terminam às 22h30. Já os aviões executivos e táxis aéreos, o transporte preferido dos bilionários, estarão autorizados a operar entre às 22h30 e às 6h. Quem vier de outro país também terá uma preocupação a mais: onde “estacionar” a sua máquina voadora. O Aeroporto Internacional do Galeão deve abrigar grande parte delas, num sistema de hangar a céu aberto.

“Será o maior evento da história da aviação executiva brasileira”, afirma Francisco Lyra, dono da administradora de aviões particulares CFly Aviation. “Para a imagem do Brasil, será muito importante tudo funcionar, porque tratamos com formadores de opinião importantíssimos.” Mas nem todos os jatos terão espaço no Rio de Janeiro. Por isso, a localização do centro de manutenção da Dassault em Sorocaba é estratégica. O aeroporto da cidade paulista deve receber outra parte dos jatos enquanto os seus donos acompanham a disputa por medalhas.

“É melhor levar o avião para lá do que fazer o piloto voar de volta para os EUA, por exemplo”, diz Pessoa. O agito para a Dassault vem em boa hora. Depois de 15 anos de mercado aquecido, o que tornou o Brasil um dos países mais quentes para a aviação executiva no mundo, as vendas em 2016 estão congeladas. “O período entre 2007 e 2008 foi excepcional”, diz o executivo. “Vendemos mais de 20 aeronaves em dois anos.”

A média desde a virada do milênio, para a empresa, é negociar entre 4 a 5 unidades por ano. Agora, o momento é de esperar a crise passar, já que ninguém está disposto a desembolsar um valor tão alto num período de instabilidade. Como consolo, a Dassault promete entregar, no fim do ano, as quatro primeiras unidades vendidas para o mercado brasileiro do seu novo avião, o modelo 8X, que custa mais de US$ 50 milhões e é capaz de voar de São Paulo a Moscou sem escalas. Um desempenho digno de uma Olimpíada.