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A onipresença do Google

A gigante de internet conta com sete serviços globais com mais de 1 bilhão de usuários e transforma-se na marca mais forte do Brasil em 2016

A onipresença do Google

Fábio Coelho: “A grande magia do Google é transformar toda essa informação em algo relevante” (foto: Claudio Gatti)

O diretor-geral do Google no Brasil, Fábio Coelho, pega seu smartphone e fala. “Catapora”. Em questão de segundos uma voz feminina com sotaque metálico, mas em bom português, responde. “De acordo com o hospital israelita Albert Einstein, infecção viral altamente contagiosa, com erupções semelhantes a bolhas que causam coceira.” Na sequência, Coelho pergunta sobre qual será o próximo jogo do Atlético Mineiro. A mesma voz, sem demora, traz a informação. “O Atlético Mineiro jogará com o Independente Del Valle amanhã às 21 horas e 45 minutos.” (Em tempo: o jogo aconteceu em 6 de abril e foi vencido pelo time equatoriano por 3 a 2). Coelho resolve fazer mais um teste.

“Qual a idade de Eduardo Cunha?” O Google responde. “Eduardo Cunha tem 57 anos.” Sugiro que ele pergunte quando Cunha será preso. Coelho dá uma gargalhada, mas alega que ainda não dá para prever o futuro. Fora isso, quase tudo está no Google. E se não estiver lá, será muito, mas muito difícil mesmo de ser encontrado. Não por acaso, o Google se transformou, em quase duas décadas de vida, em um fenômeno digital. Se no último ano você não esteve isolado em uma caverna e acessou à internet, muito provavelmente teve contato com algum produto do Google. Gosta de assistir a vídeos no YouTube?

Saiba que ele é do Google. Usa um celular com o sistema operacional Android? O software foi desenvolvido pela empresa americana. De cada 10 smartphones vendidos no mundo, oito deles contam com o simpático robô verde que simboliza o programa. Está perdido no trânsito? Que tal usar o Waze, um aplicativo que traz as melhores rotas para circular em uma cidade? Ah, claro, o App foi comprado por Larry Page e Sergey Brin, os dois fundadores do Google, de empreendedores israelenses.

São motivos mais do que suficientes para fazer do Google a MARCA MAIS FORTE DO BRASIL em 2016, em pesquisa com 14 mil consumidores realizada pela DINHEIRO em parceria com a Kantar Vermeer, consultoria do grupo britânico WPP. Para ser forte, uma marca precisa ser relevante e ter um diferencial. “Hoje, é quase impossível entrar em um computador ou em um smarphone e não usar o Google”, diz Eduardo Tomiya, diretor-geral da Kantar Vermeer. O Facebook, vencedor do ano passado, ficou em segundo lugar, indicando a importância que as marcas do universo digital passaram a ter para o consumidor brasileiro.

No ranking, há outras duas do setor de tecnologia: a Samsung, na 9ª posição, e o Apple iPhone, na 14ª colocação. Atualmente, o Google conta com sete serviços com mais de 1 bilhão de usuários no mundo. São eles a busca, o site de vídeos YouTube, o sistema operacional Android, o browser Chrome, o serviço de mapas, a loja de aplicativos Play e o serviço de mensagens Gmail. “Todos eles são altamente populares no Brasil”, afirma Coelho.

O YouTube brasileiro, por exemplo, é o segundo do mundo em número de minutos vistos pelos usuários, atrás apenas dos Estados Unidos. Esse fenômeno criou uma geração de pessoas que querem ser “youtubers”, como são conhecidos os produtores de conteúdo no site do Google. Uma das expoentes dessa geração é a curitibana Kéfera Buchmann, cujo canal 5incominutos conta com mais de 8 milhões de seguidores e os vídeos já tiveram quase 700 milhões de visualizações desde 2010. De olho nisso, o Google criou o YouTube Space, um estúdio para ajudar os “youtubers” a produzirem seus conteúdos.

Há um em São Paulo e outro será aberto no Rio de Janeiro neste ano. “Será o nosso Projac”, diz Flávia Simon, diretora de marketing do Google, referindo-se aos estúdios da TV Globo. O escritório brasileiro não se resume a São Paulo. Em Belo Horizonte, há um centro de desenvolvimento que é um dos poucos do mundo com o poder de mexer no algoritmo de buscas de Google, o segredo mais bem guardado da empresa de Mountain View, na Califórnia. De lá também saem inovações que são usadas por pessoas de todo mundo, como a busca local, desenvolvida por brasileiros. Quem procura um restaurante, por exemplo, sempre receberá como resultado uma opção perto de onde se está. “A grande magia do Google é transformar toda essa informação em algo relevante.”

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