Negócios

“Precisamos desligar o celular e trabalhar mais”

10 perguntas para Brian Tracy escritor e especialista em produtividade

“Precisamos desligar o celular e trabalhar mais”

Autor de 75 livros sobre vendas produtividade, Brian Tracy é um considerado um mestre na gestão do tempo. Em suas palestras, o guru da produtividade ensina executivos a não perderem tempo com distrações. Para Tracy, que virá ao Brasil para participar do Fórum Internacional de Negócios e Coaching, entre os dias 18 e 19 de março, em São Paulo, a saída para crise atual está em aceitar que, num período de crise econômica, é preciso trabalhar mais.

Quando a economia brasileira estava crescendo, muitas companhias se expandiram, e passaram a oferecer novos produtos e serviços. Agora, com a economia em baixa, elas devem se voltar aos produtos e serviços mais importantes e fazer com que eles tenham a mais alta qualidade possível. 

Trata-se, então, de buscar eficiência.

Exato. Em situações adversas, como a que o Brasil está passando, é preciso se tornar muito mais eficiente, focado e trabalhar mais do que antes. O grande inimigo da eficiência, globalmente, é a acomodação, pessoas na zona de conforto. 

Trabalhar mais horas não afetaria a qualidade de vida das pessoas, que já é prejudicada em função da crise?

Em períodos de prosperidade, há uma tendência de as pessoas acharem que não precisam trabalhar muito para atingir seus objetivos. Porque tudo é fácil. Mas, quando a economia muda, esse raciocínio não funciona mais. Tudo na vida é uma troca. Se você quer ter mais tempo com os amigos e férias, deve trocar esse tempo pela sua renda, que será mais baixa. 

É possível balancear sua vida profissional com a vida pessoal?

Na escola, as crianças se acostumam a brincar com seus amigos. É assim que se aprende. O problema é quando, na vida adulta, a pessoa adota o mesmo comportamento no ambiente de trabalho. Como fazem isso? Conversando o tempo todo, mandando mensagens no celular ou e-mail, tomando café. Esse tempo de brincadeira corresponde, em média, a metade do tempo gasto no escritório. 

O problema é educacional, então? 

Muitas crianças têm dificuldade em estabelecer prioridades porque os pais não ensinaram. Esse é um problema das novas gerações.

Os jovens da geração Y reclamam que precisam passar muito mais tempo no escritório do que precisam. Não é melhor dar mais liberdade?

Essa geração não aprendeu a trabalhar. Quando o jovem chega ao mercado de trabalho, acaba entrando em um ciclo de distrações.  É uma espécie de estado catártico. Toda vez que checamos um e-mail, nosso cérebro libera dopamina, que é um estimulante. Por isso, estamos sempre esperando pela próxima mensagem. 

Como podemos ignorar esses estímulos?

Existem estudos de universidades, como Harvard, afirmando que muitas carreiras executivas estão sendo destruídas pela necessidade de estar o tempo todo conectado. Em vias gerais, só é preciso checar seus e-mails três vezes ao dia. Mas, abrimos a caixa de entrada, em média, 146 vezes por dia. Os jovens, 18 vezes por hora. Precisamos desligar o celular e trabalhar mais. 

Há necessidade de mudança, também, nas lideranças das empresas. É comum chefes mandarem e-mails para os funcionários de madrugada, por exemplo. 

Na França, acabam de aprovar uma lei dizendo que nenhum funcionário é obrigado a responder mensagens após o horário de trabalho. Medidas como essa estão se tornando mais comuns nas companhias, mesmo sem a força da lei. 

A corrupção, no Brasil, por outro lado, também corrompeu essa ideia de que é preciso trabalhar mais para ganhar mais. Como mudar essa mentalidade?

No último ano, eu trabalhei na China, na Índia, no Egito, na Rússia e no México. A corrupção é um problema global. Sem querer entrar na questão política, mas os brasileiros votaram nesse governo sabendo que era corrupto. 

Trata-se de uma questão de responsabilidade?

No fundo, toda essa questão se resume no ato de assumir responsabilidade por suas ações. Isso inclui a responsabilidade pelo seu voto.