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Os melhores empregadores

Nem a crise econômica afeta o esforço de gestão de pessoas nas empresas certificadas pelo Top Employers Institute. Saiba o que distingue essas companhias, mesmo nos momentos mais difíceis

Os melhores empregadores

Roda-viva:  com (à frente) Carlos Netto, diretor de Pessoas, e Walter Malieni, vice-presidente, o Banco do Brasil coloca funcionários para entrevistar os chefes (foto: Foto: Claudio Gatti)

Para as empresas que estão entre as melhores empregadoras do Brasil e do mundo, não basta ser uma referência de boas práticas na gestão de seus funcionários apenas no período de vacas gordas. Também durante as crises econômicas, como a atual que o Brasil atravessa, é preciso dar atenção às pessoas, que ainda são o principal  ativo de qualquer empresa. O grande desafio é diminuir ou até mesmo eliminar a insegurança e a sensação de instabilidade que surgem em momentos difíceis, além de evitar a deterioração das condições de trabalho. Muitas vezes, devido a novas condições de mercado, mesmo companhias bem geridas acabam sofrendo períodos de baixa. Mas isso não serve como desculpas para os melhores empregadores do Brasil, certificados pelo Top Employers Institute, entidade holandesa, fundada em 1991, que opera em 102 países.

Pelo segundo ano, o instituto e a DINHEIRO oferecem em primeira mão a lista das empresas certificadas no Brasil, trazendo insights sobre o que fazem elas se destacarem no mundo corporativo. Para identificar quem está entre as mais evoluídas na área de recursos humanos, o Top Employers faz a análise detalhada de 585 práticas de gestão de pessoas, divididas em nove tópicos. São considerados a gestão de talentos e de desempenho, o planejamento, o desenvolvimento de lideranças e a remuneração e os benefícios. Depois de quatro anos atuando no Brasil, o instituto selecionou 26 empresas (veja a lista ao lado), que receberam a certificação e foram homenageadas em evento em São Paulo, em 8 de março. 

Entre elas, está a produtora de tabaco Souza Cruz. “Sempre temos cuidado com o clima organizacional, mas em momentos de crise é necessário reforçar uma comunicação mais aberta”, diz Renata Faria, responsável pela área de recursos humanos da empresa. Dessa forma, em fevereiro, a companhia realizou um fórum aberto, no qual os gestores financeiros expuseram as suas perspectivas para a economia brasileira e analisaram os resultados da empresa e de seus concorrentes. Já o Banco do Brasil adotou uma das mais inovadoras abordagens de comunicação com os funcionários. Por contar com uma equipe gigantesca, de 100 mil pessoas espalhadas por todo o território nacional e até pelo exterior, o banco precisava de uma forma para chamar a atenção de tanta gente. O plano encontrado foi uma parceria com a TV Cultura, para utilizar o formato e até o cenário do programa de entrevistas Roda-Viva como meio de comunicar as mensagens da organização.

Mensalmente, o Banco do Brasil grava entrevistas com algum de seus principais executivos sendo entrevistados por funcionários selecionados. Até as charges do cartunista Paulo Caruso são feitas durante a entrevista, exatamente como acontece no programa original. “Qualquer pergunta é pertinente e reforça o diálogo”, diz Carlos Netto, diretor de pessoas do banco. “Mensagens em vídeo e diálogo aberto têm muito mais valor para as novas gerações.” O último programa atraiu 27 mil acessos de funcionários. 

Uma comunicação aberta e direta da alta gestão pode ser uma forma importante de mostrar como a empresa está preparada para enfrentar momentos adversos. Mas, para dar segurança para os empregados, também é essencial estimular que mesmo os chefes de equipes pequenas passem mensagens claras diariamente. E isso vai muito mais além da comunicação verbal. “Desde o primeiro momento do dia, os líderes precisam transmitir a imagem certa, que é percebida pelas pessoas até por mensagens subliminares”, diz Elaine Saad, especialista em gestão de pessoas da Saad Consulting. A combinação de comunicação verbal e não verbal adequada pode tranquilizar as equipes. O importante é não se abster de passar mensagens quando há dúvidas rondando a empresa. “Quando o funcionário não tem informação, ele cria uma na cabeça”, afirma. E, se isso acontecer, o risco é criar um ambiente de fofocas. “Tentamos provocar a conversa com as pessoas e criar mecanismos para ouvir os ruídos antes que ganhem grande proporção”, afirma Veronika Falconer, diretora de recursos humanos da farmacêutica Takeda. 

Mesmo se a única opção for demitir, há uma forma de que isso seja feito de forma menos traumática. Segundo Gustavo Tavares, diretor-geral do Top Employers Institute no Brasil, as empresas em crise precisam avaliar quais pessoas seriam as mais cruciais com a retomada da atividade de curto prazo. “Esses recursos devem ser os mais preservados e motivados, já que podem representar a melhor chance de a empresa virar o jogo no curto prazo”, diz. Para finalizar as dicas de boas práticas nos momentos difíceis, é preciso ser confiável. Se todos esses passos forem bem seguidos, o resultado será um ambiente corporativo mais agradável. “Recentemente, realizamos uma pesquisa de clima que mostrou que os colaboradores brasileiros são os mais satisfeitos em todo o mundo”, afirma Parameswaran R., o chefe de recursos humanos da empresa indiana de software Tata Consultancy Services (TCS).

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