Negócios

Embraer: receita líquida de aviação comercial sobe 72% no 4º trimestre

Na análise por segmento de negócios da Embraer, o de Aviação Comercial ficou com maior fatia de receita líquida no quarto trimestre de 2015. A unidade teve participação de 53,7% no total das receitas, com R$ 4,295 bilhões, alta de 72% ante os R$ 2,496 bilhões do mesmo período de 2014. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, houve alta de 78,4%.

A Embraer destaca a assinatura de contrato no último trimestre com a SkyWest para um pedido firme de 19 jatos E175, a serem operados pela SkyWest Airlines por meio de uma emenda no acordo de compra de capacidade com a Delta. Já a KLM Cityhopper confirmou duas opções adicionais para o jato E175, do contrato com 17 pedidos firmes e 17 opções anunciado em março de 2015″, diz a companhia.

“A Embraer entregou em dezembro os dois primeiros jatos E195 à Tianjin Airlines, cliente-lançador deste modelo de aeronave na China”, destaca em informe de resultados do quarto trimestre de 2015. “No mesmo período, a Colorful Guizhou, também da China, recebeu seus dois primeiros E190”.

Na sequência, vem a aviação executiva, com uma fatia de 36% da receita líquida total da Embraer no quarto trimestre do ano passado, com uma cifra de R$ 2,876 bilhões, avanço de 60,76% ante R$ 1,789 bilhão do quarto trimestre de 2014. Na comparação com o terceiro trimestre houve alta de 94,2%.

No quarto trimestre, a Embraer entregou 25 jatos leves e 20 jatos grandes, totalizando 45 aeronaves, um decréscimo de sete unidades em relação ao mesmo período de 2014.

Já o segmento de Defesa & Segurança ficou com 9,7% da receita líquida total da Embraer entre outubro e dezembro, com R$ 771,9 milhões, uma queda de 15,47% ante a cifra do mesmo período de 2014, de R$ 913,2 milhões, e alta de 19,9% na comparação com a receita líquida do segundo trimestre.

Conforme a Embraer, o desempenho do setor de Defesa & Segurança foi influenciado pela variação cambial que motivou a revisão da base de custos de determinados contratos nesse segmento.

No consolidado de 2015, a receita líquida da Embraer somou R$ 20,301 bilhões, dos quais R$ 11,349 bilhões dizem respeito ao segmento de aviação comercial (55,9%, ante 50,1% em 2014), R$ 6,091 bilhões ao segmento de aviação executiva (30%, ante 25,8% em 2014) e R$ 2,695 bilhões ao segmento de Defesa & Segurança (13,3%, ante 22,9% em 2014).

Caixa líquido x dívida líquida

A Embraer registrou caixa líquido de R$ 28,4 milhões ao final do quarto trimestre de 2015, ante dívida líquida de R$ 102,6 milhões no mesmo período do ano anterior – ao final do terceiro trimestre de 2015, a companhia contabilizava dívida líquida de R$ 2,558 bilhões. Segundo a empresa, o principal contribuinte para esse resultado foi a geração livre de caixa de R$ 2,551 bilhões no período.

Ainda entre os meses de outubro e dezembro, o caixa líquido gerado pelas atividades operacionais, líquido de investimentos financeiros e ganhos (perdas) não realizados, foi de R$ 3,37 bilhões ante R$ 1,334 bilhão no mesmo período de 2014 e R$ 128,4 milhões no terceiro trimestre do ano passado. No acumulado de 2015, a geração livre de caixa foi de R$ 1,244 bilhão, ante uso livre de caixa de R$ 823,8 milhões em 2014.

“O aumento do fluxo de caixa de 2015 teve como principais contribuintes aumentos no Adiantamento de clientes e nas Receitas diferidas e diminuição dos Estoques, bem como um menor crescimento nas Contas a receber de clientes de 2015, em comparação a 2014”, afirma a Embraer, em release de resultados.

O caixa total ao final de dezembro era de R$ 13,814 bilhões. O total de financiamentos/endividamento somava R$ 13,785 bilhões, sendo R$ 12,929 bilhões de longo prazo e R$ 856,5 milhões de curto prazo. O prazo médio de endividamento ficou em 6,2 anos ao final do quarto trimestre de 2015.

A alavancagem, medida pela relação do Ebitda versus as despesas sobre os juros no ano caiu de 6,01 para 3,71. Ao final de 2015, 23% da dívida total era denominada em reais, enquanto em 2014 foi de 33%.

A empresa também informou que, para 2016, cerca de 45% da exposição em real está protegida, caso o dólar se desvalorize abaixo de R$ 3,42. “Para taxas de câmbio acima deste nível, a empresa se beneficiará até um limite médio de R$ 6,34 por dólar”.

A Embraer ainda ressalta que a maior geração de caixa operacional em 2015 ante 2014 se deve à melhoria em diversas contas do balanço. Os estoques, por exemplo, encerraram o ano em R$ 9,038 bilhões, ante R$ 10,976 bilhões no terceiro trimestre de 2015, em função do alto número de aeronaves entregues nos últimos três meses do ano passado. A cifra, no entanto, é maior que os R$ 6,389 bilhões em estoques no fim de 2014, por causa da variação cambial no período.

Os adiantamentos de clientes, por sua vez, ficaram em R$ 3,545 bilhões no fim de 2015, ante R$ 3,402 bilhões ao término do terceiro trimestre e R$ 2,2 bilhões em 2014, por causa da evolução do número de novas encomendas ocorridas durante 2015 tanto no segmento de Aviação Comercial quanto no de Aviação Executiva.

As contas a receber de clientes, líquidas, fecharam o ano passado em R$ 3,059 bilhões, nível inferior aos R$ 3,298 bilhões do terceiro trimestre de 2015 mas superior aos R$ 1,869 bilhão em 2014. Segundo a Embraer, o resultado reflete “um aumento nos ciclos de pagamento por parte de alguns clientes, porém tendo declinado R$ 239,4 milhões em relação ao terceiro trimestre, em função de ajustes em alguns programas de Defesa & Segurança da Embraer”.