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Benjamin aposta em formato compacto para crescer rápido

As grandes padarias das capitais brasileiras, ao tentarem se proteger dos supermercados de bairro, viraram uma mistura de panificadora, restaurante e loja de conveniência. Para poder replicar o modelo e crescer, a Benjamin está buscando um caminho inverso: vai tentar recriar a experiência das “padarias de antigamente”, que vendiam pães, doces e salgados, com um espaço reduzido para refeições rápidas.

Para o consultor em franquias Marcelo Cherto, existe espaço para uma grande rede de padarias no País. As experiências que tentaram alçar voos em diferentes mercados – como Uno & Due e Pão & Companhia – careciam de uma gestão mais profissionalizada, na opinião do especialista. Com Abilio Diniz e Jorge Paulo Lemann envolvidos, a Benjamin tem chances de ocupar esse espaço. “Se a Padaria Portuguesa conseguiu fazer 30 lojas em Portugal, que é um mercado pequeno, as possibilidades para o Brasil são muito maiores.”

Enquanto não surge uma rede de padarias capaz de dominar o consumo nos bairros, especialistas dizem que outros estabelecimentos estão ocupando este espaço, como os supermercados de bairro – tanto Pão de Açúcar quanto o Carrefour têm modelos de vizinhança – e as lojas de conveniência de postos de gasolina.

A rede AM/PM, do grupo Ultra, tem uma pequena operação de padaria em diversas lojas. “A panificação ainda é um campo aberto, porque não existe nenhuma grande rede no País”, diz Cherto.

Público

No caso da Benjamin, o foco é começar pelo atendimento das classes A e B. Como o mercado ainda é mal explorado, o consultor Sérgio Molinari, da Food Consulting, diz que o projeto tem bastante fôlego para crescer antes de ter de adaptar o conceito para um público de renda inferior.

“Uma família com renda superior a R$ 7 mil é considerada de classe B no Brasil. Isso quer dizer que se trata de um público bastante amplo. Apesar de representar uma parcela menor da população, essas famílias concentram dois terços dos gastos com alimentação fora de casa no País.”