Negócios

A dor de cabeça da Lenovo

Três anos após comprar a CCE por R$ 300 milhões, a empresa chinesa devolve a marca brasileira aos seus antigos donos

A dor de cabeça da Lenovo

Yuanging, CEO da Lenovo: o executivo chinês não esperava que a compra da CCE, em 2012, se tornaria um problema (foto: Pedro Dias/Divulgação)

A fabricante de eletrônicos CCE, fundada em 1964 por Isaac Sverner, sempre levou consigo o estigma de fabricar produtos inferiores aos das concorrentes. O significado de sua sigla costumava ser alvo de brincadeiras jocosas entre os consumidores. Em vez de Comércio de Componentes Eletrônicos, seu nome original, a empresa é lembrada por termos como “Comecei Comprando Errado” ou “Conserta, Conserta e Estraga”. Na terça-feira 13, a Lenovo deu mais um motivo para a piada de mau gosto continuar. Três anos após ter investido R$ 300 milhões para assumir o controle da CCE, a empresa chinesa, comandada por Yang Yuanging, a devolveu para a família Sverner. O valor da transação não foi revelado. “No caminho da CCE tinha uma pedra chamada Motorola”, afirma Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da consultoria IT Data, especializada em tecnologia. 

A aquisição da divisão de celulares da americana Motorola pela Lenovo, em janeiro de 2014, por US$ 2,9 bilhões, ofuscou a compra da CCE, cujo motivo principal era ganhar mercado. No ano da transação, a Motorola dobrou a sua participação no setor de smartphones brasileiro, para 18%, ultrapassando a vice-líder LG. O modelo Moto G, com preços que se iniciam em R$ 600, é um sucesso de vendas, em especial entre os consumidores da Classe C, público no qual a CCE concentrava sua maior força. 

Sobraram, então, os mercados de televisão, tablets e computadores. Em abril deste ano, no entanto, a Lenovo abandonou o setor de televisores no País. A fábrica da CCE, localizada na Zona Franca de Manaus, foi fechada e três mil pessoas foram demitidas. “A Lenovo pensou que poderia colocar uma Ferrari dentro de um Fusca”, diz o analista americano Alberto Moel, do banco Bernstein.  Já o mercado de tablets vem diminuindo. Somente no segundo trimestre de 2015, segundo a consultoria IDC, o segmento apresentou uma retração de 35% em comparação ao ano passado. 

No caso dos computadores, produto em que a Lenovo é líder mundial, o foco não é mais o consumidor final. 

“A empresa está se voltando para as vendas corporativas, onde sempre foi muito forte”, diz Rodrigues, da IT Data. “E já possui uma marca própria mais conhecida.” A CCE não se mostra mais necessária. Agora, a dor de cabeça voltou para a família Sverner, que terá de provar que a marca ainda pode se livrar do seu estigma. Nenhum executivo da CCE foi encontrado para comentar o assunto.

Veja também

+Caixa paga hoje (13) auxílio emergencial para nascidos em maio

+Soros produzidos por cavalos têm anticorpos potentes para covid-19

+ Avó de Michelle Bolsonaro morre após 1 mês internada com covid-19

+ Nazistas ou extraterrestres? Usuário do Google Earth vê grande ‘navio de gelo’ na costa da Antártida

+ Avaliação: Chevrolet S10 2021 evoluiu mais do que parece

+ Grosseria de jurados do MasterChef Brasil é alvo de críticas

+ Carol Nakamura anuncia terceira prótese: ‘Senti falta de seios maiores’

+ Ex-Ken humano, Jéssica Alves exibe visual e web critica: ‘Tá deformada’

+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados

+ Governo estuda estender socorro até o fim de 2020

+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea

+ Tubarão-martelo morde foil de Michel Bourez no Tahiti. VÍDEO

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?