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Lavagem a seco

A montadora Ford adota novas tecnologias para diminuir os resíduos da produção, evitar o desperdício de água e reduzir a emissão de poluentes

Lavagem a seco

O empresário americano Henry Ford foi o responsável pela criação da linha de produção de carros e pela adoção de materiais reciclados no setor automotivo. Em 1920, o fundador da Ford utilizou a madeira das embalagens das autopeças no assoalho dos veículos. Há quase um século, a empresa com sede na cidade de Dearborn, no estado de Michigan, estuda a utilização de materiais ecológicos e sustentáveis em toda a sua cadeia produtiva. Neste século, a água é a principal preocupação global da montadora.

Entre 2000 e 2010, a companhia diminuiu em 62% o consumo de água em suas fábricas ao redor do mundo, o equivalente a 39 bilhões de litros ou 15,6 milhões de piscinas olímpicas. Com quatro fábricas no Brasil – três nas cidades paulistas de Taubaté, Tatuí e São Bernardo do Campo e na baiana Camaçari –, a Ford adotou novas tecnologias para diminuir os resíduos da produção, para evitar o desperdício de água e para reduzir a emissão de poluentes. Na sua mais antiga unidade no País, na região do ABC paulista, a montadora registrou uma diminuição no consumo de água, nos últimos cinco anos, de 35,8%.

Isso representa um racionamento equivalente a 863.700 caixas d’água de mil litros. Para chegar a esse resultado, foram pensadas e desenvolvidas novas soluções e iniciativas, como a implementação de fontes alternativas de consumo da rede pública, captação de água das chuvas, reuso em processos industriais, instalação de novas tubulações aéreas substituindo as subterrâneas para melhorar a visualização de possíveis vazamentos, entre outras medidas. “O desenvolvimento é traduzido na forma como conduzimos os nossos negócios e também nas práticas ambientais realizadas em todas as nossas fábricas”, diz Edmir Mesz, supervisor de engenharia de qualidade ambiental da Ford.

Em busca de uma maior eficiência, o processo de usinagem agora adota uma nova tecnologia, batizada de mínima quantidade de lubrificantes (MQL). De acordo com a Ford, esse método lubrifica as ferramentas de corte na linha de produção de motores usando um pequeno spray de água e óleo somente quando necessário, o que permite a economia de 1,2 milhão de litros por ano e um consumo 80% menor de óleo. A montadora também reaproveita a água durante os banhos de fosfatização da carroceria, o que reduz o uso de 1.200 m³ de água por mês. O processo de lavagem dos carros, essencial para a verificação do sistema de vedação, utiliza a água que é recirculada para tanques, reduzindo a necessidade constante de reposição.

Outra medida é o reaproveitamento da água na área de pintura dos automóveis, que é utilizada novamente depois nos testes de fabricação dos veículos (carros e caminhões) e no reabastecimento dos reservatórios do sistema de combate a incêndios. Toda essa preocupação faz sentido num momento em que a água é o centro global de debates. Por isso, a meta da Ford para 2015 é reduzir em mais 2% o gasto de água em suas fábricas no Brasil. A empresa decidiu monitorar sua cadeia de fornecedores e pedir relatórios de consumo. “Continuaremos o programa de conscientização para disseminar o uso correto da água”, afirma Mesz. “O conceito de sustentabilidade precisa estar presente na criação de veículos mais eficientes e limpos. Estamos sempre em busca de uma melhoria constante.”

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