Negócios

Ele quer ser seu próximo destino

Francisco Costa Neto, CEO da Rio Quente Resorts, quer aproveitar a alta do dólar para atrair turistas brasileiros. Por isso, investe em novos negócios

Ele quer ser seu próximo destino

Estamos de olho em todos os tipos de negócio, diz Costa Neto (foto: Montagem sobre foto de Claudio Gatti)

Em outubro de 2012, a diretoria e o conselho de administração da Rio Quente Resorts, de Goiás, reuniram-se com um grupo de consultores da Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, em seu escritório da avenida Brasil, em São Paulo. Tendo como pano de fundo a previsão de chegar a um lucro de R$ 58 milhões, naquele ano, o encontro deveria discutir um diagnóstico feito pelos consultores sobre o futuro da empresa, que administra um complexo turístico formado por oito empreendimentos, entre pousadas e parques aquáticos. O relato esfriou o clima de euforia com os resultados vistosos do balanço.

De forma categórica, eles sustentaram que caso a companhia continuasse limitada a operar numa única região não conseguiria manter-se na rota do crescimento. “Só ali percebemos que precisávamos agir, afirma Francisco Costa Neto, CEO da Rio Quente.” Nos dois anos seguintes, como previa o pessoal da Dom Cabral, o lucro caiu para o patamar de R$ 42 milhões. Tratava-se de uma revisão estratégica difícil de ser tomada. Afinal de contas, a Rio Quente, que recebe 1,3 milhão de visitantes por ano, era uma máquina de fazer dinheiro – no ano passado, as receitas chegaram R$ 313 milhões.

Decidida a não brigar com os fatos, a empresa, controlada pelo grupo mineiro Algar, resolveu seguir as recomendações dos consultores. Foi aprovado um plano de investimentos de R$ 820 milhões. Desse total, R$ 200 milhões já foram desembolsados na reforma do complexo atual, em Rio Quente. Outros R$ 200 milhões estão sendo aplicados ali em um novo hotel, com 400 apartamentos. Os restantes R$ 420 milhões bancarão a expansão regional. No primeiro negócio fora de Goiás, a Rio Quente administrará uma parte do resort Marulhos, na praia de Porto de Galinhas, no litoral pernambucano. Inicialmente, serão operados 80 apartamentos. A experiência será uma espécie de aperitivo para a Rio Quente no Nordeste.

Estão previstos aquisições, arrendamentos e construção de hotéis e parques. “Estamos de olho em todos os tipos e modelos de negócios”, afirma Costa Neto. Segundo o CEO, a opção pelo Nordeste faz sentido. Afinal, a região é a principal rota do turismo nacional, procurada por 42,7% dos brasileiros em busca de lazer, segundo pesquisa do Ministério do Turismo. Esse potencial, somado ao do complexo de Rio Quente, deve se beneficiar da alta do dólar, que encareceu as viagens internacionais, estimulando a busca de opções no mercado nacional. “Quem apostar em turismo interno vai se sair bem”, diz Edmar Bull, vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens.