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O que o BTG viu na floresta?

Fundo do banco de André Esteves capta R$ 2,6 bilhões para plantar eucalipto e pinus na América Latina

O que o BTG viu na floresta?

Poupança verde: André Esteves, controlador do BTG Pactual, está de olho na demanda do setor de celulose (foto: Divulgação)

Quando, em 2012, o banco BTG Pactual, controlado por André Esteves, assumiu o controle da TTG Brasil Investimentos Florestais houve um certo espanto. Afinal, tratava-se de uma empresa que administrava fundos de investimentos baseados no plantio de florestas de pinus e eucalipto pelo mundo afora, algo muito distante do universo do banqueiro, cujo QG está localizado na avenida Faria Lima, no sofisticado centro financeiro de São Paulo.Na terça-feira 12, essa história ficou um pouco mais clara com a bem-sucedida captação de US$ 860 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões), no mercado internacional.

“Os ativos florestais são como uma poupança segura por parte dos investidores de longo prazo, como os fundos de pensão”, afirma o criador do TTG Brasil e CEO do BTG Pactual Timberland Investment Group, o americano Gerrity Lansing. “Melhor até que os imóveis que geram prejuízo em caso de vacância prolongada.” Essa divisão do BTG administra US$ 3 bilhões em ativos espalhados por Estados Unidos, África do Sul e países da Europa e da América Latina. Pode até ser conversa de vendedor. Mas o fato é que as sucessivas ampliações de capacidade produtiva das fabricantes de celulose, especialmente no Brasil, indicam que o eucalipto e o pinus continuarão sendo bastante cobiçados.

“A demanda por ativos florestais não se resume ao setor de celulose”, diz Éderson de Almeida, diretor-executivo da Consufor, consultoria baseada em Curitiba, especializada no setor. “Os segmentos de siderurgia, madeira e até os projetos de bioenergia (partir da queima de madeira de reflorestamento) respondem, hoje, por 65% do mercado.” São estes componentes que ajudam a explicar o grande interesse dos investidores globais em se associar a esta tacada de Esteves. O volume captado ficou US$ 110 milhões acima do planejado. A estratégia desenhada por Esteves e Lansing mira em segmentos de consumo praticamente imunes à crise.

“Não importa o ritmo de crescimento do Brasil, China ou Estados Unidos”, afirma Lansing. “O certo é que a demanda por papéis de embalagem e para produção de guardanapos e fraldas, por exemplo, seguirá crescendo na faixa de 5% ao ano.” De acordo com o CEO da divisão de florestas do BTG Pactual a expectativa é aplicar no Brasil boa parte dos recursos captados nesta rodada. As vantagens comparativas do País justificam a preferência, pois vão desde o clima e a tecnologia até o curto período de maturação das árvores, a partir de cinco anos.