Negócios

”Eu sou f…!”

Sem papas na língua e autoconfiante, o empresário carioca Neville Proa, da Viton 44, faz da exposição no futebol um trampolim para as vendas de seus isotônicos

”Eu sou f…!”

Proa, da Viton 44: “Eu transformo o ruim no bom e ninguém consegue me derrubar” (foto: Ricardo Borges/Folhapress)

O empresário carioca Neville Proa, dono da empresa de bebidas Viton 44, é uma figura rara no mundo dos negócios. Loquaz e sem qualquer compromisso com a modéstia, ele não vacila em exibir sua milionária autoconfiança. “Eu transformo o ruim no bom e ninguém consegue me derrubar”, afirmou Proa à DINHEIRO. “Eu sou foda!” Seu comportamento peculiar, referindo-se, frequentemente, a si mesmo na terceira pessoa, lembra muito a maneira de falar de alguns polêmicos jogadores de futebol. Sua ligação com o esporte bretão, no entanto, não se encerra aí. No início deste ano, a Viton 44 passou a estampar simultaneamente as camisas de três dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro: Flamengo, Fluminense e Botafogo.

“Por que invisto no futebol? Quer algo que o brasileiro goste mais do que futebol?”, afirma o empresário, que está investindo R$ 30 milhões nos patrocínios. Trata-se de um montante considerável para uma empresa acostumada a receber boa parte de suas vendas em moedas de R$ 1, especialmente nas praias cariocas. A ligação com o futebol tem sido a grande cartada de Proa para aumentar a visibilidade da sua empresa e enfrentar concorrentes do porte de Ambev e Femsa, fabricante da Coca- Cola. A agressividade tem dado resultado. A Viton 44 é considerada, atualmente, a rainha das areias cariocas.

Suas marcas de isotônicos Guaraviton e Guaravita estão presentes em praticamente todas as barracas das praias do balneário e de outros Estados do Sudeste. Segundo Proa, a empresa comercializa cerca de 40 milhões de copos e garrafas de bebidas por mês. Ele não revela o faturamento. Sua produção sai de duas fábricas: uma em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, e outra em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Já as fórmulas de seus produtos foram criadas em parceria com a empresa catarinense Duas Rodas, especializada na extração de óleos de frutas. Para o futuro, o empresário cultiva metas ambiciosas.

“Tenho planos de expandir a produção nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul”, diz Proa, que está de viagem marcada para os EUA, onde pretende construir uma fábrica no futuro. “O problema é que não posso me multiplicar, seria perfeito ter um Neville em cada Estado.” No meio empresarial, no entanto, há quem acredite que a falta de humildade de Proa tem como pano de fundo a estratégia de valorizar a empresa para negociar sua possível venda. Para o professor de marketing esportivo da ESPM-SP, Ivan Martinho, o fato de o setor de bebidas ser praticamente monopolizado pela Ambev e pela Femsa estimula a aquisição de empresas menores. “O investimento no futebol gera a impressão de que a empresa é maior do que realmente é”, afirma Martinho.