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Por que o McDonald’s aderiu aos programas de fidelidade

Rede de fast-food faz parceria com Netpoints para atrair mais consumidores a seus restaurantes

Por que o McDonald’s aderiu aos programas de fidelidade

Formigari, da Netpoints: acesso a 38 mil varejistas com a Linx

Formigari, da Netpoints: acesso a 38 mil varejistas com a Linx

Um hambúrguer que pode virar uma passagem aérea, uma roupa que vale uma batata frita, um eletrodoméstico que pode se transformar em um sorvete casquinha. Para os consumidores fãs da lanchonete americana McDonald´s, a partir de abril todas essas combinações serão possíveis.

Explica-se: o programa de fidelidade Netpoints, braço de varejo da Smiles, fechou uma parceria com a rede no Brasil para entrar na rede de coalizão e oferecer vantagens para os clientes mais fieis do Big Mac, Quarteirão e outras ofertas da companhia de americana  O acordo foi feito com a controladora da franquia no País, a argentina Arcos Dourados.

Os ensaios para uma parceria começaram ainda no ano passado e, com os bons resultados de movimento na rede de lanchonetes, o programa começa ser implantado em todas as lojas em todo o País em março. “Teremos mais 1,5 mil pontos de venda, o que nos fará dobrar de tamanho em número de lojas com o programa”, afirma Carlos Formigari, CEO da Netpoints.

Esse avanço da empresa de fidelidade acirra ainda mais a concorrência do segmento de fidelidade, que começa ganhar espaço no varejo brasileiro. O teste com o McDonald´s começou no segundo semestre do ano passado. Os consumidores que comprassem R$ 100 ou mais nas lojas Marisa ou na rede de supermercados D’Avó, na zona leste de São Paulo, ganhavam um voucher para consumir na rede de lanchonetes do palhaço Ronald.

“Isso fez não apenas as vendas crescerem no varejo, com tíquete médio maior, mas também aumentaram a frequência nos restaurantes do McDonald´s”, diz Formigari. Com o sucesso da promoção, o McDonald´s reconheceu que um programa de fidelidade poderia aumentar ainda mais o número de consumidor em suas lojas, principalmente em praças nas quais a concorrência com o Burger King, Bob’s e Subway era mais acirrada.

A partir de março, o programa de fidelidade entra nos 833 restaurantes da rede espalhados pelo País e em todos os quiosques de sobremesa e café. Na primeira fase, em abril, será possível trocar os pontos acumulados no programa de coalizão por produtos no McDonald´s.

No segundo semestre, será implementada a segunda fase, em que as compras nos restaurantes também renderão pontos. Se unidos ao acumulado de outros varejos e até de parceiros Smiles, já que há uma integração entre os programas, poderão contribuir até para a troca dos pontos por passagens áreas.

Para a rede mundial do McDonald´s, o Brasil pode funcionar como um balão de ensaio, já que a companhia não tem um programa de fidelidade nos Estados Unidos, seu país de origem, um dos motivos apontados por analistas para perda de clientes para a concorrência.

No Brasil, essa não é uma novidade no segmento de fast-food. A Dotz, principal concorrente da Netpoints, já atua da mesma forma com a rede Bob’s nos 13 Estados onde está presente. Para o presidente da Dotz, Roberto Chade, as parcerias com redes de lanchonetes são importantes, mas precisam atrair uma gama de varejistas maior para trazer benefícios aos consumidores. “O mais importante é o mix, contando com bancos, supermercados, farmácias e postos de gasolina”, diz Chade.

No caso da Netpoints, essa rede foi montada a partir da parceria com o Smiles, antigo programa de milhagem da companhia aérea Gol, que adquiriu 25% da empresa em 2013 por R$ 25 milhões. A outra sócia da Netpoints é a Marisa, com 20%.

Além do McDonald´s, a Netpoints fechou recentemente parceria com a rede de supermercado Savegnago, de Sertãozinho e atuação em toda a região de Ribeirão Preto, no interior paulista, e com a varejista de material de construção C&C.