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Sérgio Rial deixa a presidência do Marfrig, após um ano

Sob seu comando, frigorífico buscou reestruturação e chegou a quase dobrar de valor de mercado, mas ações voltaram a cair

Sérgio Rial deixa a presidência do Marfrig, após um ano

Sérgio Rial: mercado se entusiasmou com executivo e impulsionou ações, mas depois devolveu os ganhos (foto: DANIEL TEIXEIRA)

O Marfrig, segundo maior frigorífico brasileiro, anunciou que Sérgio Rial não é mais seu presidente. Em novembro de 2012, Rial trocou a diretoria de finanças da Cargill pela presidência da Seara, então a marca mais conhecida do Marfrig. Já naquela época, a empresa afirmara que sua chegada fazia parte de um plano de sucessão, pelo qual, Rial assumiria a presidência executiva do grupo em janeiro de 2014, no lugar de seu fundador, Marcos Molina.

O plano foi cumprido e Rial foi efetivado como presidente do Marfrig em janeiro do ano passado. Sua principal tarefa era reestruturar a companhia, que sofria com um grande endividamento e prejuízos causados, entre outros, pelo impacto cambial. Em outubro de 2013, meses antes de Rial assumir o comando, a Marfrig anunciou um reforço de caixa, ao acertar a venda da Seara para o concorrente JBS por quase R$ 6 bilhões.

A ascensão do executivo foi bem recebida pelo mercado e repercutiu no valor das ações ordinárias (MRFG3, com direito a voto) na Bolsa de Valores de São Paulo. Ao assumir, os papeis eram cotados na casa dos R$ 4,80. O pico da cotação ocorreu em 29 de agosto, quando chegou a R$ 7,60. Nos últimos tempos, porém, as ações perderam fôlego e começaram a devolver a alta. Nesta quarta-feira 14, elas fecharam em R$ 4,43, com queda de 7,13% sobre o pregão retrasado.

Os resultados de Rial são parciais. A receita líquida passou de R$ 4,8 bilhões para R$ 5,2 bilhões, entre o primeiro e o terceiro trimestres de 2014. O ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado passou de R$ 197 milhões para R$ 253 milhões, e a margem de ebitda cresceu de 9,5% para 10,2% no mesmo período. Os prejuízos líquidos, porém, se aprofundaram. No primeiro trimestre, era de R$ 96,4 milhões. Entre julho e setembro, as perdas avançaram para R$ 303 milhões.

De acordo com o blog Radar On Line, da Veja, a saída de Rial deve-se a um bom motivo: ele estaria prestes a assumir a presidência do conselho de administração do Banco Santander no Brasil.