Negócios

Imprimindo bons negócios

Dois jovens montaram uma gráfica online e despertaram o interesse de uma gigante americana. Resultado: uma venda de R$ 60 milhões

Imprimindo bons negócios

Ampliação das operações: Hagenbuch (à esq.) e Pencz iniciaram a empresa com R$ 2,5 milhões de investimento (foto: Thiago Bernardes/Frame)

Em 2010, o húngaro radicado na Alemanha Mate Pencz, 28 anos, e o alemão, criado no Brasil Florian Hagenbuch, 27, haviam recém se formado em economia respectivamente por Harvard e Wharton, duas das principais universidades dos Estados Unidos. Os dois se conheceram quando começaram a trabalhar em um banco de investimentos na Inglaterra. Mas o uso diário do terno e gravata não durou muito. Filho de um executivo do setor gráfico, Hagenbuch estudou o mercado que já lhe era familiar e logo percebeu uma oportunidade ainda pouco explorada no Brasil: a gráfica online.

Pencz veio conhecer o País no ano seguinte e topou o desafio proposto pelo colega de trabalho. Foi assim que, em 2012, nasceu a Printi, com um investimento recebido de fundos e investidores-anjo, no valor de R$ 2,5 milhões. “Nos inspiramos no modelo da Vistaprint, a mais bem-sucedida empresa de gráfica online do mundo, mas fizemos algumas inovações na área”, afirma Pencz. Uma delas foi a criação de uma plataforma para atender redes de franquias. Outra foi o foco em micro e pequenas empresas, ao contrário da empresa americana, dona de um faturamento anual de US$ 1,2 bilhão, que atende prioritariamente pessoas físicas.

A experiência bem-sucedida e as inovações da cópia chamaram a atenção da matriz da Vistaprint. Resultado: no mês passado, Hagenbuch e Pencz venderam 49% da Printi para os americanos, por R$ 60 milhões. Hagenbuch acredita que, com a associação, algumas das experiências da Printi sejam exportadas para alguns dos 130 países em que a Vistaprint atua. Entre elas, a principal é, sem dúvida, a plataforma de serviços gráficos para franquias, que permite aos franqueadores controlar o padrão do material dos parceiros e ainda verificar se eles estão usando cartões, folhetos e banners para promover a marca.

“Acredito que esse serviço deve ser levado para outros países”, afirma Hagenbuch. Neste ano, Printi projeta uma receita de R$ 14 milhões. Para a Vistaprint, que já opera na Europa e na Ásia, o negócio se mostrou uma oportunidade de entrar no mercado brasileiro. “O investimento na Printi permite o acesso a um novo mercado muito atrativo e uma oportu­nidade de crescimento acelerado”, afirma Jeremie Profeta, vice-presidente responsável pelos mercados emergentes da Vistaprint. De acordo com seus sócios brasileiros, há pelo menos três anos os americanos rondavam o Brasil. “Eles tinham o receio de entrar no escuro, sem conhecer nosso mercado”, afirma Pencz.