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Por que Carlos Wizard Martins comprou a Mundo Verde (por ele mesmo)

Em entrevista à DINHEIRO, Carlos Wizard Martins explica o que o levou a antecipar o fim do período sabático, após a venda do Grupo Multi, e apostar nos alimentos orgânicos

Por que Carlos Wizard Martins comprou a Mundo Verde (por ele mesmo)

Após protagonizar o maior negócio do setor brasileiro de educação, no fim do ano passado, com a venda do Grupo Multi à britânica Pearson por R$ 1,9 bilhão, o empresário curitibano Carlos Wizard Martins anunciou que tiraria um ano de descanso nos Estados Unidos, antes de pensar em novos negócios. As férias, porém, foram interrompidas há quatro meses, quando começaram as conversas para a compra da Mundo Verde, a maior rede de varejo de alimentos orgânicos do País.

Por um valor não revelado, Martins assumiu 100% da empresa, antes controlada pela empresa de private equity Axxon. Com 300 franquias e faturamento estimado para 2014 acima de R$ 400 milhões, a empresa ainda tem muito a crescer, segundo o novo dono. “Há muitas cidades que ainda podem receber uma loja da Mundo Verde”, diz. Famoso por ter transformado 100 franqueados do Grupo Multi em milionários, Martins quer repetir o feito na Mundo Verde. Em entrevista à DINHEIRO, o empresário, que também mantém o blog Como Ganhar Seu Primeiro Milhão no site da revista, explica sua estratégia para o novo negócio.

DINHEIRO – Há quanto tempo, começaram as negociações para a compra da Mundo Verde?
CARLOS WIZARD MARTINS –
As conversas começaram há quatro meses. Foi um casamento de interesses. Por um lado, a Mundo Verde era controlada por um fundo de investimentos, o Axxon. Fundos costumam ficar por um tempo com as empresas, para fazê-las crescer e depois passá-las para a frente. Em 2014, fez cinco anos que a Axxon comprou a empresa. De outro lado, nossa família estava capitalizada e buscava, ativamente, um negócio de franquias. E o setor de alimentos saudáveis vem crescendo bastante no Brasil, a uma média de 15% ao ano.

DINHEIRO – Além do ritmo de crescimento do setor, que outros fatores atraíram o senhor para a Mundo Verde?
MARTINS –
O conceito de bem-estar e alimentação saudável não está crescendo apenas no Brasil. É uma tendência mundial. Além disso, se observarmos, veremos que a Mundo Verde é a líder disparada desse mercado no Brasil, com mais de 300 lojas. Ainda assim, vemos que há muitas cidades com potencial para receber uma franquia da empresa.

DINHEIRO – A Axxon tinha planos de elevar o faturamento da Mundo Verde para R$ 1 bilhão em 2018, com 650 franquias. Quais são os planos do senhor para a empresa?
MARTINS –
Nós assumimos com os mesmos objetivos traçados pela Axxon. Para que isso aconteça, vamos apostar no crescimento orgânico. Vamos trabalhar para que os franqueados operem não apenas uma, mas múltiplas lojas. Temos um plano de franquias para conduzi-los a esse objetivo. Alguns franqueados já possuem três ou quatro lojas da Mundo Verde. Então, o que precisamos fazer é copiar e reproduzir esse modelos.

DINHEIRO – O senhor acumulou sua experiência de franquias com o Grupo Multi, de ensino, que tinha 2,6 mil escolas franqueadas. Operar uma rede de varejo é muito diferente de operar uma franquia de serviços?
MARTINS –
Há alguns fatores distintos. No setor de educação, você não tem um compromisso apenas com o aluno, mas também com o pai dele, com a família. É preciso integrar todo mundo. Há um vínculo emocional muito forte entre a escola e a família. Você precisa valorizar isso por meio de eventos, festas, formaturas, homenagens. Já no varejo depende de produtos de qualidade, atendimento de qualidade e preço justo. Esses elementos já são uma fórmula avançada para o sucesso.

DINHEIRO – A Axxon tinha planos de transformar a Mundo Verde numa holding que operasse negócios de franquia, restaurantes de comida saudável e spas, entre outros. O senhor vai manter esses projetos?
MARTINS –
Não podemos dizer, ainda, quanto do projeto original será mantido. Temos um conselho de franqueados e qualquer plano precisa passar pelo crivo dele. O conselho é composto pelos sete maiores franqueados, que se reúnem de quatro em quatro meses para discutir os rumos da Mundo Verde. Sempre trabalharemos em consenso com os franqueados. Esse conselho é formado pelos proprietários das 20 maiores lojas da marca.

DINHEIRO – Há duas franquias da Mundo Verde em Portugal. O senhor pretende acelerar essa expansão internacional?
MARTINS –
A chave das empresas líderes em seus setores é ocupar rapidamente o espaço em seu próprio território. É ser o primeiro. Por isso, nossa prioridade é atingir as 650 franquias no prazo estipulado. Depois, vamos pensar na expansão internacional.

DINHEIRO – O senhor transformou 100 franqueados do Grupo Multi em milionários. Espera repetir essa marca com a Mundo Verde?
MARTINS –
Eu acredito que os meus princípios de gestão, de planejamento e de controle financeiro se aplicam também à Mundo Verde. Tenho a sensação de que vamos repetir essa marca na Mundo Verde.

DINHEIRO – O que o senhor diria aos franqueados da Mundo Verde, neste momento?
MARTINS –
Nosso objetivo é fortalecer em 100% os franqueados. O sucesso consistente em antecipar uma tendência de mercado e começar a praticá-la imediatamente. Há muitas oportunidades para crescer e investir no Brasil. E o setor de alimentos saudáveis é um deles.

DINHEIRO – Todos esperavam que o senhor voltasse, após o período sabático, a investir no setor de ensino. O senhor desistiu?
MARTINS –
Tenho um contrato de não concorrência com a Pearson [nova dona do Grupo Multi] de três anos. Por esse tempo, não posso atuar em nada no setor de educação.