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Por um lugar ao sol

Na maratona por uma vaga de trainee poucos cruzam a linha de chegada

Por um lugar ao sol

Vera Lucia Tavares, diretora de recursos humanos da Brinks, e Andre Pina Lorentz, trainee da empresa (foto: Luisa Santosa)

A concorrência por uma vaga de trainee pode superar em quase 60 vezes a marca do curso de Medicina, o mais disputado da Fuvest 2013 com 56,46 candidatos por vaga. É o caso da Ambev que no ano passado teve 71.138 inscritos para 21 vagas, o que dá 3.387 candidatos por vaga. O exemplo da fabricante de cerveja, que está com as inscrições abertas até 6 de setembro para o próximo processo seletivo, é sempre o mais emblemático pela avassaladora procura. Criado em 1990, o programa de trainee da AmBev já formou mais de 600 profissionais.

“Na Ambev, acreditamos que nosso principal ativo é nossa Gente: talentosa, motivada, reconhecida, com grandes sonhos e vontade de realizá-los. Por isso, buscamos sempre candidatos com brilho nos olhos, que se identifiquem com a nossa cultura”, afirma o diretor de gente da Ambev, Renato Biava. Com o objetivo de atrair, desenvolver e reter jovens recém-formados, com alta performance e potencial para que atuem como líderes da organização no médio prazo, cada empresa monta o programa de trainee de acordo com as suas necessidades.

Há casos em que a empresa chega a ter dois programas de trainee. Isso ocorre, por exemplo, com a Brinks, maior companhia de segurança e transporte de valores do mundo. Um dos programas é destinado às áreas administrativas e o outro direcionado às unidades de operações espalhadas no país. Para as 20 vagas administrativas do programa de 2014, que ocorreu em fevereiro desse ano, havia dez mil candidatos. De acordo com Vera Tavares, diretora de Recursos Humanos da Brinks, o grande desafio nesse tipo de processo de escolha é identificar os valores do jovem que possam se adequar aos da organização.

“Por isso, eles passam por todo o negócio”, diz Vera. Para o trainee André Pina Lorentz, formado em engenharia de produção e um dos escolhidos da Brinks, a parte mais difícil do processo é saber que você está sendo avaliado o tempo todo. “ É muita competição, por isso é preciso ficar tranquilo; a cada dia será convidado a um desafio diferente”, diz Lorentz. Outra empresa que circula sempre entre as mais desejadas pelos trainees é a Whirlpool, uma das principais fabricantes de eletrodomésticos do mundo.

Na última edição do processo de seleção a disputa era de 780 candidatos por vaga. Segundo Andrea Clemente, diretora de Recursos Humanos e Comunicação da Whirlpool Latin America, durante o programa, os trainees lideram projetos estratégicos e sociais e ocupam posições robustas nas diferentes áreas da Companhia. “Contamos com programas de Mentoring, Coaching e Tutoria de Projetos, além de treinamentos e iniciativas de exposição e desenvolvimento customizadas”, afirma Andrea.

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Um lugar para vender seu peixe

Fundação Estudar lança evento que reúne candidatos a trainee e diretores de empresas

A Fundação Estudar, ONG criada pelo trio Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, para distribuir bolsas de estudo a jovens com alto potencial, lançou a primeira conferência de carreiras da entidade. Com o sugestivo nome de Ene (que vem do “n”, uma variável da matemática que pode assumir qualquer valor desejado) e a ideia de maximizar o potencial dos jovens a enésima potência, a conferência acontece no dia 4 de agosto, no Hotel Unique, em São Paulo (as inscrições estão encerradas).

Foram dez mil inscritos na busca por uma das 500 vagas para participar do evento gratuito. “Na conferência, eles participam de workshops e bate-papos com grandes líderes”, diz Rodrigo Teles, diretor executivo da Fundação Estudar. Dos selecionados, cem foram preparados para se apresentar durante 2,5 minutos a diretores de RH de empresas como Google, Facebook, Ambev, BTG Pactual, Falconi, Itaú, BBA, Votorantim entre outras. “A ideia é diminuir a distância entre os candidatos e o mercado”, diz Teles.

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