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Lições de mandarim

A Volkswagen bate recorde de vendas, graças ao apetite do consumidor chinês, que compensou com folga os resultados no Brasil

Lições de mandarim

Mercado cativo: consumidores observam carros da Volks em concessionária em Xangai (foto: Image Forum)

Se fosse possível, as montadoras de automóveis que atuam no Brasil tratariam de riscar de seu calendário o primeiro semestre de 2014. Afinal, foi nesse período que o setor viu as vendas de automóveis e comerciais leves darem uma marcha à ré em relação ao que vinha ocorrendo desde 2009, quando o governo federal adotou medidas para estimular o setor. No acumulado janeiro-junho deste ano, os fabricantes de veículos experimentaram uma queda de 7,34%.

Entre as 40 marcas que atuam por aqui, o maior impacto se deu sobre o chamado quarteto de ferro sobre rodas: Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford, que venderam 125 mil unidades a menos em relação a 2013. Entre elas, quem mais perdeu espaço foi a alemã Volkswagen, com recuo de 15,3%, saindo de 328.012 veículos no primeiro semestre de 2013 para 278,7 mil. Em termos globais, no entanto, os alemães não têm do que reclamar. No primeiro semestre, a montadora atingiu o recorde histórico de 3,07 milhões de automóveis.

O desempenho foi festejado de forma cautelosa pelo diretor mundial de vendas e marketing da Volkswagen, Christian Klinger. “A situação dos mercados globais vai continuar desafiadora no segundo semestre, o que nos deixará muito atentos”, disse em um comunicado divulgado na semana passada. Para acelerar, os alemães contaram com o vigoroso apetite dos chineses, que absorveram 1,39 milhão de carros e utilitários entre janeiro e junho, quase cinco vezes mais que os 282,6 mil vendidos no Canadá, nos Estados Unidos e no México.

Cair nas graças do consumidor chinês é importante para quem tem pretensões de assumir a liderança mundial em 2018, como é o caso da Volkswagen. Mas o Brasil, como um dos cinco maiores mercados do mundo, não está sendo negligenciado. Muito pelo contrário. Por aqui, além do Gol, campeão de vendas ininterrupto desde 1980, a grande aposta de Thomas Schmall, presidente da subsidiária, é o recém-lançado UP!.

No entanto, é na China, onde chegou há 30 anos, como uma das pioneiras do setor, que a Volks vem colhendo seus maiores dividendos nesta década. Sem espaço nos EUA e com a Europa em crise, os alemães resolveram intensificar ainda mais sua vertente oriental, anunciando investimentos de US$ 17,3 bilhões para o período 2011-2016. Deu certo. Hoje, a terra de Mao Tsé-Tung é disparado o principal mercado da Volks. Seus automóveis e utilitários são muito cobiçados e esse apetite é mantido em alta graças à sincronia no lançamento de modelos em relação à Europa. O consumidor chinês gosta muito de novidades.