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OQVestir de roupa nova

OQVestir de roupa nova

Isabel Humberg: “Com mais recursos em caixa podemos crescer e diversificar o negócio” (foto: João Castellano/istoe)

Nos últimos dois anos, os gestores da TMG Capital, fundo de private equity que administra ativos de US$ 400 milhões, analisaram 400 empresas dos mais variados portes. A ideia era encontrar novos setores para adicionar ao seu portfólio, no qual já despontam a Odontoprev, de assistência odontológica, e a Boavista Serviços, concorrente da Serasa. Em março, a procura acabou. A eleita foi a Modanet Comércio Eletrônico, cuja face conhecida é o portal de comércio eletrônico OQVestir, especializado em roupas e acessórios de moda. A empresa acaba de receber uma injeção de R$ 30 milhões do fundo.

“Com mais recursos em caixa poderemos crescer e diversificar o negócio”, diz Isabel Humberg, fundadora e CEO da Modanet. O aporte do TMG estabelece o valor de mercado do portal em R$ 150 milhões, já que o fundo ficou com uma fatia de 20% das ações. “O consumo de moda reúne as condições objetivas de seguir crescendo no Brasil”, afirma Pedro Cordeiro, sócio da TMG Capital. “E isso vale tanto para a classe A quanto para os emergentes.” Por conta disso, a perspectiva da Modanet é dobrar de tamanho em relação a 2013, atingindo um faturamento de R$ 100 milhões ao final de 2015.

A partir dessa injeção de capital, a empresa pretende levar a experiência consolidada na venda de roupas e acessórios para segmentos como o de utensílios para o lar. No site já é possível comprar itens como porta-retratos, luminárias, almofadas e artigos de cama. O objetivo de Isabel é intensificar ainda mais essa vertente e, com isso, ampliar a experiência de compra dos atuais clientes, além de atrair novos. Trata-se de uma aposta considerada arriscada por analistas. “O grande nó de uma operação de varejo eletrônico é a logística”, diz o consultor André Robic, fundador do Instituto Brasileiro de Moda (Ibmoda).

“Quanto mais diversificada a operação, mas difícil é fazer sua gestão com eficiência.” Atenta a esse desafio, Isabel afirma que uma parte da verba do TMG será usada no desenvolvimento de novas ferramentas de Tecnologia da Informação (TI). Na divisão de distribuição e logística nada será feito, ao menos por enquanto. É que desde 2011 a Modanet conta com um galpão de dois mil metros quadrados, situado no entroncamento entre as rodovias Anhanguera e Bandeirantes, na zona oeste da cidade de São Paulo. Lá funcionam o Centro de Distribuição e os estúdios para produção de looks e fotos dos produtos exibidos no site.

O negócio foi criado em maio de 2009 por Isabel e suas amigas Mariana Medeiros e Rosana Sperandéo, que tinham em comum o fato de cultivarem o gosto por moda, além do conhecimento do mundo das finanças. Psicóloga e advogada de formação, Isabel atuou por um longo período na área de fusões e aquisições de empresas, onde conheceu Mariana. Rosana, por sua vez, fez carreira no jornalismo, com especialização na área de moda. “No começo, nossos únicos ativos eram as cinco integrantes da equipe e uma sala”, diz Isabel. Hoje são 130 funcionários e a equipe deverá ser engrossada em breve.

Isso porque boa parte das operações consideradas sensíveis – o SAC, o departamento de planejamento e o de marketing – são tocadas internamente. De acordo com Isabel, o grande trunfo de OQVestir foi o desenvolvimento de uma inteligência de vendas, o mapeamento da cabeça da mulher brasileira e a aposta em curadoria. Para desenvolver essas competências, a empresa ficou um ano operando em ritmo de aprendizado, ou estágio Beta, como se diz no jargão da internet. Também foi pioneira na contratação de blogueiras. “Nunca aceitamos qualquer marca”, afirma ela. “A grife tem de ter afinidade com a proposta do site. Por isso, começou com apenas cinco, entre as quais as mais conhecidas eram Isabella Giobbi, Têca e Thelure. Hoje são 180 e há fila de espera.”