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CNA faz as contas

Rede de escolas de idiomas decide usar recursos próprios para bancar seus franqueados na abertura de novas unidades

CNA faz as contas

Compacto: modelo de escolas menores lançado por Pecin deve atrair novos investidores (foto: Kelsen Fernandes)

Expandir uma franquia não é tarefa fácil quando a rede já está próxima da marca de 600 unidades por todo o País. Novos formatos podem ser uma alternativa, mas encontrar investidores que tenham capacidade financeira para bancar a ampliação desse número é um desafio ainda maior. Para não ficar à mercê das economias pessoais dos franqueados, mas com a ideia de ajudá-los a levantar recursos, a escola de idiomas CNA resolveu deixar de lado o papel de franqueadora, transformando-se numa espécie financiadora de seus parceiros.

A rede vai financiar os investidores na expansão da escola e, para isso, pretende assumir os juros para quem buscar recursos no valor de até R$ 150 mil para abrir unidades. O custo da estratégia não foi revelado. A iniciativa é uma parceria com o banco HSBC, que fará a análise do crédito e liberará os recursos. “É uma forma de viabilizar e acelerar a expansão da rede”, afirma Décio Casarejos Pecin Júnior, presidente da CNA. Neste ano, a previsão é que a rede fature R$ 925 milhões, crescimento de 19,3% em relação a 2013. O objetivo é chegar a mil escolas e lançar ações na Bovespa até 2017, metas estipuladas pelo fundo de investimentos Actis, que entrou como sócio de 40% da CNA em 2012, com aporte de R$ 135 milhões.

Para o presidente da companhia, aumentar o número de unidades também se mostrou um desafio em razão do formato das escolas e do preço elevado da franquia, que chega a custar R$ 500 mil para o franqueado. Para buscar novos investidores e levar a marca da escola de idiomas para cidades menores, com menos de 100 mil habitantes, a CNA também resolveu apostar em projetos mais compactos. Agora, os candidatos a empreendedores podem ter uma franquia da rede por R$ 92 mil. “Isso eleva muito o número de possíveis parceiros”, diz Pecin. No entanto, a linha de crédito que será oferecida pelo CNA em parceria com o HSBC poderá ser pleitea-da tanto para quem investir na franquia de menor tamanho quanto em unidades maiores.

As medidas adotadas pela rede de escolas de idiomas são uma forma de se manter em crescimento em um mercado cada vez mais disputado. No início do ano passado, a Abril Educacional comprou por R$ 877 milhões a rede carioca Wise Up. Em dezembro, foi a vez do Grupo Multi, dono das marcas Wizard, Skill e Yázigi, ser adquirido pela inglesa Pearson, por R$ 1,9 bilhão. Pecin não descarta a possibilidade de a CNA optar pela estratégia de aquisições para crescer. Atualmente, ele analisa a possibilidade de investir em redes pequenas em locais onde a CNA não tem presença ou ainda tem pouca musculatura. Além disso, novos formatos de escolas, como para crianças, e novos produtos estão em estudo.