Negócios

Jovens executivos criam startup que pretende modernizar mercado de autopeças

O administrador Vinicius Dias, ex – Goldmans Sachs, e o economista Fernando Cymrot, que atuou na consultoria espanhola One to One, ambos de São Paulo, costumam usar a analogia da China para se fazer entender com o novo negócio da dupla. Assim como no país asiático existem cidades que se caracterizam por produzir um produto específico, de parafusos a carros, a proposta é que no Canal da Peça, site criado por eles em 2012, exista a concentração dessas ?cidades? contribuindo para que mecânicos e concessionárias dialoguem na hora de comprar e vender autopeças.  

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Vinicius Dias e Fernando Cymrot se conheceram na universidade

 

Desde a criação da empresa, os jovens executivos conversam com vários fundos e já levantaram R$ 4,6 milhões com dezoito investidores. A meta é que até 2015 o valor total captado seja de R$ 20 milhões. Atualmente com 30 funcionários, a startup associada à rede Endeavor. O Canal da Peça é uma espécie de Mercado Livre do ramo. Sua premissa é por meio de um catálogo eletrônico ajudar o mecânico a encontrar uma peça específica em qualquer parte do País. ?Antes tínhamos poucas marcas automotivas no Brasil e de certa forma era simples encontrar peças. Hoje, isso mudou. Temos dezenas de marcas e uma variedade de peças a serem encontradas?, diz Vinicius. De acordo com pesquisa de 2010 do Centro de Inteligência Automotiva (CINAU), na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), 44% das oficinas afirma não encontrar peças com facilidade. Com a dificuldade, 35% dos veículos chegam a ficar parados nas oficinas entre 6 e 10 dias. Sinônimo de redução da rentabilidade do negócio.  

 

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O setor de reposição automotiva faturou R$ 73,8 milhões em 2011

 

A ideia também contempla as concessionárias interessadas em disponibilizar seus produtos pelo site e, por que não, encontrar peças mais difíceis. Segundo Fernando, o modelo de negócios vai gerar receita por meio de uma margem imbutida por operação. O foco do site é B2B (empresa para empresa) e B2C (empresa para consumidor). O Canal da Peça não tem estoque, seu cálculo de volume é por itens disponíveis. O objetivo é oferecer 100 mil itens até o fim deste mês e agregar mais de R$ 1 bilhão em ?estoques vrituais? até o fim de 2013.

 

O setor de reposição automotiva, caracterizado por fabricantes de autopeças, distribuidores, varejo e oficinas respondeu por um faturamento de R$ 73,8 milhões em 2011 e cresceu 7% em relação a 2010. A maior parte das receitas deste setor vem do segmento de reparação de veículos o equivalente a R$ 32,2 bilhões e seguida pelo varejo com R$ 16,2 bilhões. Já a indústria de autopeças e o setor de distribuição movimentaram R$ 13,2 bilhões e R$ 12,2 bilhões, respectivamente.

 

O novo e o tradicional

 

Para quem conhece o conservador e complexo mercado de autopeças a primeira pergunta que vem a mente é como dois jovens empreendedores vão dialogar com indústrias que há décadas ditaram o ritmo dos negócios? Eles respondem sem intimidação: ?O nosso diferencial está em mostrar ao mercado todos os números, as possibilidades de eficiência. Quando vamos conversar com os executivos já fizemos um levantamento completo do mercado e isso causa impacto positivo?, afirma Vinicius.

 

O objetivo dos dois colegas de faculdade não é competir, mas agregar valor à cadeia, inclusive aos fabricantes. O desafio atual é catalogar os itens. Algo que requer um esforço de persuasão para com a indústria. Mas para isso, eles contam com a ajuda de Jurandir Machado, ex?Bridgestone, executivo com experiência de mercado e que tem a meta de popularizar a ferramenta. 

 

As Oportunidades

 

Existem 93,5 mil oficinas mecânicas no Brasil.

 

44% das oficinas afirmam não encontrar peças com facilidade.

 

Em 2011, 39% da frota nacional – 13,7 milhões de veículos – possuíam entre 6 e 15 anos. Já 66% da frota – 22 milhões de veículos – possuía até 10 anos.

 

Projeta-se que o crescimento da frota de carros com entre 7 e 10 anos, na comparação anual, será de: 18,5%, em 2013; 18,1%, em 2014;  17,9%, em 2015; 17,2%, em 2016.

 

Quando o reparador não encontra a peça necessária, 35% dos veículos ficam parados nas oficinas entre 6 a 10 dias. 

 

Fonte: Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios / Centro de Inteligência Automotiva

 

 

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