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Exclusivo: Mormaii vai à academia

A tradicional marca catarinense de surfwear  amplia seu portfólio, que vai de óculos a carros, e investe no bilionário mercado fitness

Os sonhos do pediatra gaúcho Marco Aurélio Raymundo, 64 anos, parecem não ter limites. Na década de 1970, ele deixou o Rio Grande do Sul e foi para Garopaba (SC) em busca de qualidade de vida e de ondas – sim, o doutor também é surfista, conhecido pelo apelido de Morongo. Como permanecer dentro d’água no mar, durante o inverno, era algo impensável no gelado litoral catarinense, o médico decidiu costurar uma roupa de neoprene, um tipo de tecido emborrachado, para o seu próprio uso. Nascia ali a Mormaii, que hoje fatura R$ 350 milhões com produtos que transcendem ao surfe. 

 

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Marco Aurélio Raymundo, o Morongo: esporte, qualidade de vida

e saúde estão no DNA da empresa

 

São cinco mil itens variados que vão desde chinelos, óculos de sol e jeans até eletrônicos, bicicletas, motos e carro, passando por água mineral e energéticos (leia quadro). Com o objetivo de ampliar as receitas, sem abrir mão do tripé qualidade de vida, saúde e esporte, a marca catarinense prepara o seu próximo salto: o cobiçado mercado fitness, que movimenta US$ 2,4 bilhões ao ano, no Brasil, segundo a IHRSA. A julgar por sua agressiva estratégia, a Mormaii está determinada a surfar na onda da indústria da malhação. Em cinco anos, a empresa planeja a abertura de 100 academias e mil estúdios (mini-academias) em todas as regiões do País, pelo modelo de franquias. 

 

Em 2018, o faturamento estimado será de R$ 150 milhões, cifra que deve representar entre 20% e 25% da receita total do grupo na época. Na primeira fase, ainda neste ano, a abertura da rede começará pelas regiões Sul e Sudeste. Para viabilizar o negócio, sete investidores brasileiros se uniram a Morongo e criaram a Mormaii Fitness, braço que licenciará os produtos e serviços nessa área. A concorrência não será simples. Incluindo os grandes players, como BodyTech e BioRitmo, que faturaram cerca de R$ 200 milhões cada um em 2012, há cerca de 23 mil academias espalhadas pelo País, a maioria delas nas mãos de peque os empresários. 

 

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A partir da esquerda, os sócios Valter Tomazzoni, Enrico Ferrari, Eduardo Nedeff

e Gilberto Lima Jr., no stand da Mormaii, em São Paulo

 

Para se diferenciar nesse mercado, a rede Mormaii não terá barras de ferro e os pesos serão feitos de areia e neoprene, o mesmo material da roupa dos surfistas. “Vamos unir pilates, treinamento funcional e o método five, sem dor nem contusões”, diz Enrico Ferrari, diretor-executivo da Mor­maii Fitness e um dos sócios da operação. A Mormaii também terá seus próprios equipamentos de pilates, que serão encomendados à Metalife, que possui em Biguaçu, na Grande Florianópolis, a segunda maior fábrica de aparelhos de ginástica do mundo. Os sócios procuram, ainda, fornecedores interessados em desenvolver esteiras e bicicletas ergométricas com a marca Mormaii. 

 

Além disso, haverá franquias de lojas de produtos fitness, dentro e fora das academias, e um canal pago de vídeos via internet, com a programação dedicada aos exercícios físicos. Para o dono e idealizador da Mormaii, a entrada no mundo fitness é um passo coerente em relação ao DNA da empresa. “O único cuidado é o de expandir mantendo um link com a essência da marca”, afirma Morongo. Com uma experiência bem-sucedida em criar inúmeros produtos, Morongo lembra que a principal vantagem da adoção da mesma marca para todos os segmentos é o ganho de sinergia. 

 

“O sucesso de um produto baliza o dos outros”, afirma. Embora a internacionalização da marca Mormaii continue nos planos da companhia catarinense, a prioridade ainda é o mercado interno. “A galinha dos ovos de ouro está aqui”, diz Valter Tomazzoni, diretor de novos negócios da Mormaii. “Mas o fitness tem muito espaço para crescer na América Latina.” Com a cautela de quem já vivenciou muitas crises desde a década de 1980, Morongo pretende, nos próximos anos, ampliar os seus horizontes. “O mundo é redondo e quanto maiores as raízes no Exterior, mais protegidos ficamos das turbulências locais”, diz o doutor surfista. 

 

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